AM Indica: A Empregada
Anamaria

Assim que soube que a adaptação do best-seller estava em curso, corri para ler A Empregada. Não posso dizer que sou uma grande fã de Freida McFadden, até porque este foi meu primeiro contato com a autora, mas gostei de como o suspense se constrói ao longo da leitura. O livro tem algo de magnético: um suspense americano clássico, centrado em segredos de família, que fisga rápido.
Na história, acompanhamos Millie (Sydney Sweeney), uma jovem que aceita trabalhar como empregada na casa de um casal aparentemente perfeito. Aos poucos, a convivência com Nina (Amanda Seyfried), a dona da casa, revela um jogo de poder, aparências e tensões que logo deixam claro que há algo fora do lugar.
Talvez justamente por isso, ter lido o livro antes tenha diminuído um pouco minha ansiedade pelo filme. O grande “quê” de A Empregada mora na virada do enredo – e, quando ela já é conhecida, parte da magia inevitavelmente se dilui. Ainda assim, o status de fenômeno global transformou o longa em um convite quase irrecusável. Os números confirmam: mais de 2,5 milhões de espectadores no Brasil e cerca de US$ 294 milhões em bilheteria ao redor do mundo.
O jogo da cumplicidade
O filme faz um bom papel ao colocar o espectador no lugar de cúmplice de Millie e Nina. A narrativa entrega pistas claras de tudo o que pode dar errado, mas sabe dosar a informação. Cada peça do quebra-cabeça se encaixa no momento certo, mantendo o ritmo sem tornar o suspense previsível.
Passada a metade do filme, fica evidente que nem tudo é o que parece. E, embora os sinais estejam ali desde o início, A Empregada brinca com a velha máxima de que aparências enganam. Funciona. Mesmo sabendo para onde a história caminha, há prazer em observar como o desfecho se constrói.
Livro ou filme primeiro?
Aqui vai uma dica talvez um pouco heterodoxa: se puder escolher, assista ao filme antes de ler o livro. A adaptação ajusta algumas inconsistências da obra original — embora nem todas. Em certos momentos, os escorregões ainda chamam atenção, especialmente para quem já conhece a trama.
Apesar disso, o longa acerta no essencial: ritmo, atmosfera e tensão. A Empregada não reinventa o suspense doméstico, mas entende muito bem suas regras — e sabe jogá-las a favor do entretenimento. Para quem chega sem spoilers, o impacto é maior. Para quem já leu, resta o prazer de ver o jogo sendo montado, peça por peça.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1510, de 27 de fevereiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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