Bárbara Reis: “A inclusão precisa acontecer nos bastidores, em roteiros, direção e produção”
Anamaria

Por Lígia Menezes e Renan Pereira
Após um papel central em Terra e Paixão, Bárbara Reis retornou ao horário nobre da TV Globo em Três Graças em uma participação mais coadjuvante. A mudança de posição, segundo ela, altera a dinâmica de trabalho, mas não seu nível de comprometimento. “A pressão muda um pouco, mas o compromisso com a história e com o público continua igual”, afirma. Com 15 anos de carreira, a atriz diz sentir avanços importantes nos últimos anos em relação à inclusão racial na TV – mas, segundo ela, ainda há muito a caminhar.
Na novela, Bárbara interpreta Lena, uma mulher que enfrenta a impossibilidade de engravidar. “Para dar vida à personagem, procurei olhar para esse tema com muito respeito e empatia”, conta. Nesse campo, ela menciona o desejo de viver a maternidade, mas sem pressa. Realizou congelamento de óvulos como uma forma de garantir autonomia neste processo. “É algo que quero viver com muita consciência e amor”, diz.
Você tem tido sucesso na TV Globo, em produções do horário nobre. Você já se considera um nome de destaque da emissora?
Fico muito feliz e grata pelo caminho que venho construindo na Globo. Estar em produções de horário nobre é uma grande vitrine e responsabilidade. Eu ainda me vejo como uma atriz em constante construção, aprendendo a cada trabalho. Se as pessoas me enxergam como um nome de destaque, recebo isso com muito carinho, mas continuo com os pés no chão e com muita vontade de evoluir sempre.
Você foi protagonista em Terra e Paixão e, agora, em Três Graças, faz um papel mais pontual. Como tem sido pra você essa mudança de protagonista para coadjuvante? Você sente menos pressão? Pode nos contar sobre a rotina para os dois papéis?
Ser protagonista é uma responsabilidade muito grande, porque a trama gira muito em torno da sua personagem e a carga de gravações é intensa. Em Terra e Paixão minha rotina era praticamente toda voltada para a novela. Em Três Graças, com uma participação mais pontual, consigo ter uma rotina um pouco mais equilibrada, mas a dedicação é a mesma. Eu encaro cada personagem com o mesmo cuidado, independentemente do tamanho do papel. A pressão muda um pouco, mas o compromisso com a história e com o público continua igual.

Acho que hoje sou uma atriz mais segura e mais consciente do meu processo. No início eu tinha muitas inseguranças naturais de quem está começando e aquela vontade de acertar sempre. Com o tempo, fui entendendo que o erro também faz parte da construção artística. Hoje confio mais na minha intuição e no meu preparo. Deixei para trás um pouco da ansiedade e abracei mais o processo.
Sua personagem em Três Graças vive um dilema presente na vida de muitas mulheres: a impossibilidade de ter filhos biológicos. Como você enxerga essa situação e se preparou para dar vida à personagem Lena?
É uma questão muito sensível e que atravessa a vida de muitas mulheres. Para construir a Lena, procurei olhar para esse tema com muito respeito e empatia. Busquei entender os sentimentos envolvidos, como frustração, luto e também as possibilidades de ressignificação. Acho importante quando a ficção aborda temas que ajudam a abrir diálogo e acolher experiências reais de tantas mulheres.
Você já disse que congelou óvulos para buscar a maternidade quando sentir que é o momento certo. Qual seria, na sua opinião, o cenário ideal para que isso acontecesse?
Eu vejo a maternidade como um projeto de vida muito importante, mas que precisa acontecer no tempo certo para mim. Congelar os óvulos foi uma forma de me dar mais tranquilidade em relação a isso. O cenário ideal, na minha visão, é estar emocionalmente preparada e com uma estrutura de vida que permita viver essa experiência com presença e cuidado. É algo que quero viver com muita consciência e amor.
Você vive um relacionamento com o ator e produtor Raphael Najan. Você acha que ter um parceiro que também é do universo da arte te ajude a manter o foco na carreira?
Antes de ser famosa, trabalhou como tosadora no pet shop de sua família. Pode nos contar como é sua relação com os animais?
Você venceu o Troféu Raça Negra e foi indicada em vários prêmios por Terra e Paixão; como isso impacta sua visibilidade como atriz afro-brasileira?
Receber esse reconhecimento foi muito emocionante. O Troféu Raça Negra tem um significado especial, porque valoriza trajetórias e histórias da população negra. Acho que cada conquista ajuda a ampliar a visibilidade e a abrir caminhos para que mais artistas negros tenham espaço e protagonismo na televisão.
Como você enxerga a inclusão racial dentro da TV? O que, na sua opinião, ainda falta ser conquistado?
Acho que tivemos avanços importantes nos últimos anos, mas ainda há muito a caminhar. A inclusão precisa acontecer não só na frente das câmeras, mas nos bastidores em roteiros, direção e produção. Quando existe diversidade nesses espaços, as histórias ficam mais verdadeiras e representativas. O ideal é que essa presença seja cada vez mais natural e constante.
Você crê em Deus? Pode nos falar um pouco sobre sua fé, crenças e rituais religiosos?
Eu tenho fé em Deus e uma espiritualidade muito presente na minha vida. Não sigo um ritual rígido, mas gosto de cultivar momentos de silêncio, oração e conexão comigo mesma. A fé, para mim, é uma forma de equilíbrio e de confiança no caminho da vida.
Stylist: Victor Mazzei – @victormazzei
Beleza: Titto Vidal- @tittovidal
Making of: @meta.filmes
Assessoria de imprensa: Cintia Lopes @cintialopes_comunicacao
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1514, de 27 de março de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.

