Fala de Ana Paula Renault no BBB 26 resgata história de perseguição feminina: ‘Sejam elas bruxas, sejam elas livres’
Anamaria

A fala de Ana Paula Renault no BBB 26 chamou atenção nas redes sociais ao ir além do reality e tocar em um ponto histórico delicado: a perseguição às mulheres ao longo dos séculos. Durante conversa no Quarto Eternidade, a sister fez um paralelo entre a chamada “caça às bruxas” e o controle do corpo feminino, levantando um debate atual — e necessário. “Os homens sempre tiveram medo das mulheres, sejam elas bruxas, sejam elas livres”, afirmou.
Ela ampliou a reflexão ao falar sobre padrões de beleza e liberdade. “Vivíamos o padrão de uma beleza inalcançável, da magreza extrema ‘heroína chic’. O que voltou? Esse padrão de novo!”, disse. A fala da sister conecta passado e presente ao sugerir que o controle sobre o corpo feminino ainda persiste.
Sua fala ecoa uma discussão que especialistas já fazem há anos: o controle sobre o corpo da mulher sempre foi uma ferramenta de poder. Ao relacionar liberdade feminina ao aumento da violência, a participante trouxe uma reflexão direta e incômoda. Segundo ela, quanto mais livres e seguras as mulheres se sentem, mais resistência encontram — o que, infelizmente, pode se refletir no aumento dos feminicídios.
Caça às bruxas: controle feminino atravessa séculos
A caça às bruxas não foi apenas um episódio isolado da história. Pelo contrário, entre os séculos XV e XVIII, ela funcionou como um mecanismo de controle social. Mulheres independentes, viúvas, curandeiras ou simplesmente fora dos padrões eram frequentemente acusadas de bruxaria.
De acordo com a historiadora Silvia Federici, é essencial olhar para esse período com profundidade: “É necessário entender de onde vem a violência, quais são suas raízes e quais são os processos sociais, políticos e econômicos que a sustentam para entender que mudança social é necessária”, diz a autora em artigo publicado na revista Co.Lab.
Além disso, a pesquisadora defende que a perseguição às chamadas bruxas estava diretamente ligada à consolidação de estruturas de poder. Ou seja, não se tratava apenas de crença religiosa, mas também de controle social e econômico sobre o papel das mulheres.
Padrões de beleza e liberdade feminina em disputa
Ao citar o retorno da magreza extrema, Ana Paula também trouxe à tona outro ponto importante: o controle estético. Segundo ela, quando mulheres começam a se sentir confiantes em seus corpos, surgem novas pressões para enquadrá-las novamente.
Nesse contexto, a liberdade feminina passa a ser vista como uma ameaça. Portanto, padrões de beleza podem funcionar como ferramentas de controle, limitando a autonomia e reforçando expectativas irreais.
Ainda assim, esse movimento não acontece de forma isolada. Pelo contrário, ele dialoga com uma cultura que, historicamente, tenta silenciar mulheres que ocupam espaços de poder ou que simplesmente dizem “não”.
Da fogueira à atualidade: o julgamento continua
Embora a caça às bruxas tenha ficado no passado formalmente, muitos especialistas defendem que ela continua de forma simbólica. Hoje, o julgamento acontece nas redes sociais, na mídia e até em relações cotidianas.
Assim, o que antes acontecia nas fogueiras, agora ocorre em discursos e julgamentos sociais. Por isso, a reflexão proposta por Ana Paula Renault ganha ainda mais relevância.
Por fim, a fala reforça um ponto central: a luta pela liberdade feminina ainda enfrenta resistência. No entanto, quanto mais o tema ganha visibilidade, mais espaço se abre para reflexão e mudança.
Resumo: A fala de Ana Paula Renault no BBB 26 reacendeu o debate sobre a caça às bruxas como forma histórica de controle das mulheres. Ao relacionar padrões de beleza, liberdade e violência, a sister destacou como essas estruturas ainda persistem. Especialistas, como Silvia Federici, reforçam que entender o passado é essencial para transformar o presente.
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