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Irene Ravache: “Envelheço bem porque não enxergo a velhice ligada à perda da beleza”
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Irene Ravache: “Envelheço bem porque não enxergo a velhice ligada à perda da beleza”

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Anamaria
09/05/2026 15h30
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Com mais de seis décadas dedicadas à atuação, Irene Ravache tem uma carreira marcada por personagens que atravessaram gerações. Da televisão ao teatro, passando pelo cinema, sua trajetória acompanha a própria história da dramaturgia brasileira, com papéis que permanecem vivos na memória do público, como Estela, de A Viagem, e a irreverente Clô, de Passione.

A atriz evita eleger favoritos. Para ela, cada personagem representa um momento específico.. Ainda assim, reconhece que algumas obras ganham destaque na lembrança do público, especialmente aquelas assinadas por autores como Sílvio de Abreu e Elizabeth Jhin.

Sua relação com o envelhecimento é direta. Irene não associa o passar dos anos a perdas, mas a um processo natural. “Considero absolutamente normal ter rugas, marcas”, afirma. A leveza com que encara o tempo está ligada, segundo ela, ao cuidado com a saúde e à recusa em transformar a aparência em preocupação central.

Ao longo da vida, Irene enfrentou desafios que extrapolam a ficção. Um dos mais marcantes foi o período em que lidou com a dependência química de um dos filhos, experiência que, anos depois, se conectou ao seu trabalho no cinema. No filme (Des)controle (2025), que aborda o alcoolismo, a atriz encontrou um ponto de partida pessoal para a construção da personagem. “O fato de ter tido experiência como mãe de um adicto me ajudou a interpretar com mais doçura”, explica.

A vivência também trouxe aprendizados que ela compartilha com outras famílias: informação, apoio especializado e limites claros são fundamentais. “É preciso procurar ajuda sem se envergonhar. Afinal, é uma doença”, resume.

Mesmo com uma carreira consolidada, Irene Ravache segue olhando para o futuro. Aos 81 anos, sua trajetória continua guiada por uma relação direta com o trabalho.

Quais momentos da sua carreira você considera mais marcantes, desde papéis como Estela em “A Viagem” até protagonistas como em “Sol de Verão”? 

Difícil escolher um trabalho, gosto de todas as personagens que interpretei. O público, no entanto, sempre se refere às personagens das novelas de Silvio de Abreu e Elizabeth Jihn. 

Você já disse que o envelhecimento “não tem peso” para si; quais hábitos diários contribuem para essa leveza e vitalidade? 

Muito se fala sobre a qualidade das novelas atuais. O que você tem achado dessa nova safra de produções, em especial a dos remakes? 

Não posso opinar porque não tenho assistido, seria leviano da minha parte.

Como você, enquanto profissional do audiovisual, está vivendo essa convergência das mídias (internet, TV, streaming etc.)? Algum tipo de mídia te encanta mais? Qual?

Os profissionais de Comunicação estão preparados para essas mídias. Quem faz Teatro, Cinema e Televisão faz qualquer coisa.

Irene Ravache. Foto e Visagismo: Fernando Ocazione (@fernandoocazione)
Irene Ravache. Foto e Visagismo: Fernando Ocazione (@fernandoocazione)

Você está no elenco de “(Des) controle”, filme que aborda os dilemas da dependência química. No passado, um de seus filhos teve problemas com a dependência. Esse filme trouxe lembranças dolorosas? Como se preparou para lidar com isso?

O fato de ter tido experiência como mãe de um adicto me ajudou a interpretar com mais doçura a personagem no filme. As lembranças servem como um aviso para estarmos sempre atentos à essa doença que é a adicção. Me preparei sabendo que participar deste filme poderia estar ajudando muita gente.

Quais lições este período de luta contra a dependência você carrega e que pode compartilhar com nossas leitoras? 

Quando se tem um adicto na família é preciso estarmos cercados de conhecimento sobre essa doença ou corremos o risco de adoecer junto com ele, nos tornando co-dependentes. Procurar os grupos de Al-Anon, conversar com psicólogos, com monitores que quase sempre são adictos em recuperação e que nos ajudam a escolher a maneira mais adequada de conversar com o dependente. Exercitar a nossa paciência, acolher e, ao mesmo tempo, deixar claro os limites. Procurar ajuda sem se envergonhar, afinal é uma doença.

Irene, você poderia nos falar sobre sua relação com Deus?

Fui criada na religião Católica Apostólica Romana, fui batizada, fiz primeira comunhão, sou crismada. Hoje, não sigo nenhuma religião. Gosto da ideia de que existe algo superior a todos. Gosto de Jesus, dos Seus ensinamentos, Sua bondade, Sua compreensão dos seres humanos. Pregou o amor entre os homens. Penso Nele como o Ser mais Iluminado que já esteve entre nós e isso me conforta e fortalece.  Respeito as diversas religiões que temos no mundo, mas desconfio e me assusto com religiosos preconceituosos, cheios de ódio, mesquinhos, controladores, sem bondade e empatia para com seus semelhantes.

Você comentou recentemente que fica muito orgulhosa por seu neto, Cadu Libonati, estar conquistando o próprio espaço na TV brasileira, sem usar o seu nome ou seu prestígio para isso.  Você acha ruim quando filhos ou parentes de famosos ocupam espaços artísticos pelo privilégio e não talento? 

Quais sonhos ainda têm vontade de realizar?

Gostaria de fazer um personagem masculino e escrever mais.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1517, de 17 de abril de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.

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Leia a matéria original aqui.

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