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Ricardo Pereira: “O amor precisa ser cuidado. Não é algo que se sustenta sozinho”
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Ricardo Pereira: “O amor precisa ser cuidado. Não é algo que se sustenta sozinho”

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Anamaria
02/05/2026 15h30
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Lígia Menezes e Renan Pereira

Após mais de duas décadas de carreira com cinema, teatro e televisão, Ricardo Pereira, aos 46 anos, segue transitando entre projetos distintos. Em Coração Acelerado, seu personagem carrega ambiguidades e silêncios. Ao mesmo tempo, ele participa de um projeto novo (e ainda secreto) do Netflix e, em setembro, estreia no cinema com Ingrid Guimarães e Mônica Martelli em Minha Melhor Amiga, uma comédia rápida e divertida, que une o Brasil e sua outra paixão, Portugal, sua terra natal. “Eu sou português, foi onde nasci, mas o Brasil também é meu país. Me sinto muito privilegiado por poder trabalhar nos dois países e ser acolhido com tanto carinho em ambos”, afirma.

Pai de três filhos, ele define a paternidade como o papel mais importante que desempenha. “Quando estou com meus filhos, sinto algo profundamente sagrado”, diz. A rotina, no entanto, exige equilíbrio entre trabalho e família, um desafio constante para quem divide a agenda entre diferentes países e projetos. Casado há mais de duas décadas com a portuguesa Francisca Pinto, Ricardo também vê o relacionamento como uma construção diária. Para ele, não há segredo além da escolha contínua de caminhar junto, respeitando as mudanças e os ciclos de cada um.

Você disse em entrevista que seu personagem em Coração Acelerado é um cara meio dúbio, misterioso. Pode nos falar mais sobre ele e em quem você se inspirou para criá-lo?

Coração Acelerado me deu a oportunidade de mergulhar em um personagem cheio de camadas. Ele é aquele tipo de homem que não se revela de imediato, que guarda silêncios, que observa muito antes de agir. Essa dubiedade vem justamente das contradições: ele é intenso, mas contido; é apaixonado, mas tem medo de se expor. Eu gosto de personagens assim, porque eles não são óbvios. Eu me inspirei em diversas fontes, um pouco em pessoas reais, homens que conheci ao longo da vida, que carregam uma certa rigidez externa, mas que por dentro são absolutamente vulneráveis. Também fui buscar referências no cinema europeu, nesse arquétipo mais introspectivo, onde o não dito tem tanto peso quanto o texto.

Neste ano, você também estreia em Minha Melhor Amiga, em setembro, um filme com Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, duas feras da bilheteria nacional. Pode nos falar um pouco do seu personagem? E também de como foi contracenar com essas atrizes?

Contracenar com Ingrid Guimarães e Mônica Martelli é muito prazeroso. Elas têm um timing cômico muito afiado, mas, acima de tudo, são atrizes extremamente generosas em cena. Meu personagem vem para tensionar e, ao mesmo tempo, equilibrar essa dinâmica delas. Ele tem um charme, mas também um certo desajuste emocional que cria situações muito divertidas. Foi um set leve, muito divertido e de muita troca. 

Também teremos você em uma série da Netflix. Pode falar para nossas leitoras sobre esta novidade?

Posso adiantar que é um projeto muito especial, com uma linguagem mais contemporânea e uma narrativa que dialoga com o público Nacional e internacional pelo assunto que trata, É uma série que fala sobre relações, poder e escolhas e acima de tudo de lutas – e o meu personagem vive exatamente no centro desse conflito. Trabalhar para a Netflix é sempre desafiador, porque a obra ganha o mundo. Isso traz uma responsabilidade grande, mas também uma alegria enorme de saber que a nossa língua e a nossa cultura atravessam fronteiras.

Você está casado há duas décadas com a portuguesa Francisca Pinto. Pode nos contar quais são os segredos ou dar dicas de como manter uma relação duradoura?

Eu e a Xica ao longo desses anos crescemos juntos. Acho que esse é o ponto principal: permitir que o outro mude, evolua, amadureça e trilhe o caminho que deseja seguir e estar Ao lado um do outro sempre se apoiando vivendo juntos os desafios que vão aparecendo, nos ajudando sempre em todos os momentos bons e maus e acima de tudo caminhar de mãos dadas não é segredo nenhum é aquilo que fazemos e serve para nós, Não existe fórmula mágica. Existe diálogo, respeito, parceria e, principalmente, admiração.

O amor precisa ser cuidado. Não é algo que se sustenta sozinho. A gente precisa escolher o outro todos os dias.

Você se sente mais famoso no Brasil ou em Portugal? Pode nos falar sobre isto?

São tipos de reconhecimento diferentes. Em Portugal, as pessoas me acompanham desde muito jovem, então existe uma sensação de proximidade muito grande desde muito jovem, No Brasil, pela dimensão do país e pela força da televisão, o reconhecimento é mais massivo. Mas, sinceramente, eu tento não medir isso por fama. Eu me sinto muito privilegiado por poder trabalhar nos dois países e ser acolhido com tanto carinho em ambos.

Pode nos falar mais sobre a sua relação com os três filhos? O que você considera mais desafiador e o que te motiva mais enquanto pai?

Ser pai é o maior papel da minha vida. Meus filhos me ensinam diariamente, Um dos grandes desafios é equilibrar a carreira com o tempo de qualidade em família. Eu procuro estar inteiro quando estou com eles. O que mais me motiva é ser próximo, acompanhar e viver as suas vidas, ter uma relação próxima com base num diálogo constante. Quero que eles vejam um pai apaixonado pelo que faz, mas também comprometido com valores, com ética, com afeto.

Você acha mais saudável que seus filhos cresçam sob influência da cultura brasileira ou da cultura portuguesa?

Eu acho um privilégio eles crescerem entre duas culturas tão ricas. Não vejo como uma escolha, vejo como soma. Quanto mais repertório cultural eles tiverem, mais ferramentas terão para entender o mundo.

Mesmo morando em Portugal, você tem uma relação com o Brasil muito bonita e longa. Hoje, você se considera mais português ou brasileiro?

Na verdade, hoje eu moro pelo mundo entre vários países, pois a minha profissão assim o exige, trabalho em vários lugares. E sim eu sou português, foi onde nasci, mas o Brasil também é meu país, pois a minha vida adulta quase toda foi passada no Brasil e, claro, me transformou profundamente. Eu costumo dizer que tenho o coração dividido, ou talvez duplicado. Existe um Ricardo que nasceu em Lisboa e outro que amadureceu no Rio de Janeiro. E os dois convivem muito bem dentro de mim.

Ainda, quais as principais diferenças para você entre o Brasil e Portugal? Quais fatores culturais ainda te chamam a atenção?

O Brasil tem uma energia expansiva, uma informalidade que eu acho deliciosa. Portugal tem uma relação mais reservada com as emoções, O que ainda me chama atenção no Brasil é essa capacidade. E em Portugal, essa conexão tão forte com a história.

Qual sua ligação com a religião? Pode nos falar sobre suas crenças, ritos e como se sente conectado a algo divino?

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1516, de 10 de abril de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.

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