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Drica Moraes fala sobre maturidade, terapia e vida após o câncer: 'Ganha uma sagacidade'
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Drica Moraes fala sobre maturidade, terapia e vida após o câncer: 'Ganha uma sagacidade'

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Bons Fluidos
25/03/2026 13h55
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Aos 56 anos, Drica Moraes mostrou, mais uma vez, por que é uma das vozes mais autênticas da dramaturgia brasileira. Em participação no programa Provoca, da TV Cultura, a atriz conversou com Marcelo Tas sobre temas que atravessam sua trajetória – como prazer, envelhecimento, saúde mental e o impacto da arte em sua vida.

Prazer e sexualidade na maturidade

Durante o bate-papo, a atriz também falou abertamente sobre a importância do prazer, inclusive na vida sexual, ao longo dos anos. Para ela, o amadurecimento traz um conhecimento mais profundo de si mesma, o que torna as relações ainda mais satisfatórias.

“Eu adoro transar. Transar mais velho é muito melhor, porque você vai para o jogo, você se conhece, conhece o seu corpo, sabe o que você gosta, sabe pedir, você sabe atender, você diz um ‘não’ e um ‘sim’ com mais facilidade. É o ideal pra qualquer idade. Acho que é tudo muito saudável. Depois que você passa pela vida se conhecendo, porque tem gente sem saber onde tem prazer…”, analisou.

A relação com o prazer, segundo Drica, também é um aprendizado que vem de casa. Ela relembrou um ensinamento marcante da mãe: “Minha mãe me ensinou, ensinou a nós todos: ‘sejam pessoas do bem, trabalhem, ganhem o dinheiro de vocês e tenham prazer, porque a vida é para ter prazer’. É uma responsabilidade que a gente tem que ter na vida: ter prazer, caçar prazer. Porque, às vezes, a vida está uma merda, está difícil, tem que caçar se é uma pessoa, uma praia, abrir a boca e falar, passar a mão no telefone e ligar pra uma pessoa sem querer, e eu tenho mto prazer nessas coisas”.

Terapia, arte e o cuidado com a mente

Outro ponto forte da conversa foi a defesa do cuidado com a saúde mental. Para Drica, tanto a terapia quanto o teatro são ferramentas essenciais para lidar com emoções e experiências do dia a dia.

“Eu tenho pena das pessoas que não fazem teatro, terapia. Tenho pena, mesmo. Eu acho que são pessoas que não conseguem soltar a franga, sabe? Eu acho que soltar a franga é um negócio muito importante. Soltar os bichos para fora. Faço terapia e teatro há mto tempo, faço piano e canto, me oxigena, me apoia”, afirmou.

A atriz contou que iniciou a terapia ainda na infância, motivada por sua sensibilidade diante do mundo. “Comecei a fazer terapia muito cedo, com dez anos, porque sempre senti mto as dores do mundo. Eu chorava, me emocionava com as coisas. Acho que a gente produz lixo diariamente e terapia é botar lixo pra fora, enquanto teatro é arrumar a casa e também separar o lixo pra botar pra fora”, comparou.

O lado libertador da maturidade

Ao falar sobre envelhecer, Drica destacou a liberdade que vem com o tempo, especialmente quando se tem autonomia e condições de cuidar de si. “Quando a gente não está jogado às traças e sem plano de saúde, é maravilhoso. É mto chato tomar algumas providências, como onde você vai ser cremado, mas você pode dar opinião, falar merda, as pessoas falam: ‘ah, deixa ela, ela está mais pra lá do que pra cá’ [risos]”.

A virada após o diagnóstico de leucemia

A experiência com a doença também foi um ponto marcante na entrevista. Diagnosticada com leucemia mieloide aguda em 2010, Drica relembrou o período de tratamento e como ele transformou sua forma de enxergar a vida.

“Quando a gente não morre, a vida fica uma beleza! A gente ganha uma sagacidade pra discernir o que presta, o que não presta. Você não perde um minuto na lama. Dá uma praticidade. Parece que eu sou mais rápida assertivamente com o que me faz bem, com o que me faz mal, seja trabalhos, pessoas, situações. Você fica menos perdida. É ou não é. É mais rápido”, refletiu.

Na época, seu filho Mateus ainda era um bebê – e foi justamente a maternidade que se tornou uma das maiores forças para enfrentar o tratamento. “Eu pensava: ‘Eu preciso ficar viva pra ser mãe de Mateus’. Eu só via aquele sorriso, aquela cara de bebê. Na época ele foi morar com mamãe, eu com picos de ansiedade, muitas angústias. Tem que ter muita imaginação pra sair. Eu ficava o tempo todo rindo de tudo, cantando pelos corredores, com as enfermeiras, falando bobagem. Meu namorado ia e eu brincava: ‘Fecha a porta e tira a roupa’ [risos]”. Entre humor, vulnerabilidade e autenticidade, Drica Moraes deixa uma mensagem potente: viver bem passa, necessariamente, por se conhecer, se expressar – e não abrir mão do prazer.

Leia também: Edson Celulari fala sobre relação com ex-esposa, Claudia Raia”

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