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EMDR: conheça a terapia que ajudou o príncipe Harry a lidar com traumas
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EMDR: conheça a terapia que ajudou o príncipe Harry a lidar com traumas

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Bons Fluidos
20/04/2026 20h00
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Muitas vezes, a dor de um trauma antigo não desaparece com o tempo. Ela apenas se esconde, esperando um gatilho para emergir. Foi o que aconteceu com o Príncipe Harry. Durante décadas, ele carregou o peso da perda trágica de sua mãe, a Princesa Diana, vivenciando um sofrimento que as palavras pareciam não conseguir curar totalmente. A mudança veio quando ele decidiu olhar para dentro através de uma técnica inovadora e profunda: a Terapia EMDR.

Em seu documentário The Me You Can’t See, Harry compartilhou com o mundo o momento em que, de braços cruzados e batendo suavemente nos ombros – o chamado “abraço de borboleta” -, ele buscava processar feridas que o acompanhavam desde os 12 anos. Sua jornada nos ensina que, para seguir em frente, às vezes é preciso coragem para revisitar o que dói.

“Uma das maiores lições que já aprendi na vida é que às vezes você precisa voltar e lidar com situações realmente desconfortáveis e ser capaz de processá-las para poder se curar”, disse.

O que é a terapia EMDR

A Terapia EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing), que em português significa Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento dos Olhos, surge como uma proposta estruturada para lidar com traumas psicológicos.

Desenvolvida pela psicóloga americana Francine Shapiro no final dos anos 1980, a abordagem é respaldada por diversas pesquisas científicas e reconhecida por instituições como o Conselho Federal de Psicologia, a Organização Mundial da Saúde e a Associação Americana de Psicologia.

Inicialmente indicada para o tratamento do Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), a técnica também vem sendo utilizada em quadros como ansiedade, depressão, fobias, dor crônica, dependência química e outras experiências emocionalmente desafiadoras.

Por que o EMDR foi a escolha de Harry?

Para o príncipe, lugares como Londres eram gatilhos constantes de ansiedade devido às lembranças do acidente de sua mãe. Ele explica que o silêncio era uma forma de proteção que, na verdade, o mantinha prisioneiro.

“Londres, para mim, é um gatilho por causa do que aconteceu com minha mãe e por causa do que vivi e vi. Eu não queria pensar nela. Porque, se eu pensar nela, isso vai trazer à tona o fato de que não posso trazê-la de volta e isso só vai me deixar triste e decidi não falar sobre isso.”

O EMDR funciona como uma “faxina” neurobiológica. Diferente das terapias apenas verbais, ele utiliza estímulos bilaterais – como o movimento dos olhos ou toques rítmicos – para ajudar o cérebro a “digerir” memórias que ficaram congeladas no sistema nervoso. É como se o cérebro fizesse uma reciclagem, transformando a dor paralisante em uma lembrança que, embora triste, não causa mais o mal-estar físico e emocional de antes.

Como funciona a “reciclagem” da dor

No dia a dia, o cérebro costuma “organizar” as experiências vividas, integrando informações, emoções e aprendizados. Esse processo acontece, em grande parte, durante o sono REM, fase em que os olhos se movem rapidamente.

No entanto, quando um evento é intenso demais, esse processamento pode falhar. A memória fica “congelada”, junto com sensações físicas e crenças negativas – como medo, culpa ou impotência. É aí que entra o EMDR.

Como funciona a técnica

A terapia utiliza a chamada estimulação bilateral – estímulos que alternam entre os lados direito e esquerdo do corpo. Isso pode acontecer por meio de movimentos oculares, sons ou toques leves, guiados pelo terapeuta.

Enquanto isso, o paciente é convidado a acessar a memória perturbadora. O objetivo não é reviver o sofrimento, mas permitir que o cérebro reorganize aquela experiência. Com o tempo, ocorre uma espécie de “digestão emocional”: a lembrança permanece, mas perde a carga intensa que antes causava sofrimento.

Um passo a passo estruturado

O EMDR segue um protocolo organizado em oito fases, que garantem segurança e direcionamento ao processo terapêutico:

  • Levantamento da história e identificação dos traumas;
  • Preparação emocional, com exercícios de regulação;
  • Definição da memória-alvo, incluindo emoções e crenças associadas
  • Processamento, com estimulação bilateral;
  • Instalação de crenças positivas, substituindo padrões negativos;
  • Observação das sensações corporais;
  • Fechamento da sessão, com orientação para continuidade do processamento;
  • Reavaliação, verificando os efeitos do trabalho realizado.

Esse percurso permite que o tratamento avance de forma gradual, respeitando o ritmo de cada pessoa.

O que muda após o reprocessamento

Ao longo do processo, não é apenas a memória que se transforma. Novas formas de pensar e sentir começam a surgir, abrindo espaço para crenças mais adaptativas, como: “Eu sou capaz”, “eu estou seguro” ou “eu posso seguir em frente”. A principal mudança está na forma como o passado deixa de invadir o presente. Situações que antes ativavam sofrimento intenso passam a ser vivenciadas com mais leveza.

Seja para grandes traumas ou para ansiedades do dia a dia, a experiência de Harry mostra que o EMDR é um convite para “reconectar” os fios da nossa história, permitindo-nos encontrar a força interior necessária para viver o presente em sua plenitude.

Leia também: Príncipe Harry fala sobre processo de luto após a morte de Diana”

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