O eco do Rio Turvo: Uma jornada de reencontros e a dádiva de estar vivo é o tema do livro Entre Vidas
Bons Fluidos

O que se faz com a dádiva sagrada de estar vivo? No espelho do tempo, as águas turvas de um rio adormecido guardam o eco de uma juventude interrompida e a promessa de um reencontro que desafia o esquecimento.
Em Entre vidas, o autor Mario Salerno Junior resgata do leito do Rio Turvo a memória do trágico acidente de 1960, que silenciou os acordes de 59 jovens músicos em uma ponte no interior paulista. O que outrora foi luto e escuridão, floresce agora em uma narrativa delicada sobre a imortalidade do afeto e a continuidade do ser, onde o fim é apenas uma vírgula em uma partitura eterna.
A trama nos apresenta Júnior, um jovem de 17 anos assombrado por sonhos que não lhe pertencem e lembranças de uma vida que ele não se recorda. Entre o sono e a vigília, ele descobre que sua alma carrega a marca de Valdir, uma das vítimas daquela fatídica manhã. É nesse limiar entre o que foi e o que é que Júnior inicia sua jornada, confrontando o mistério de estar diante da própria sepultura e o abraço impossível de duas figuras maternas que, em tempos distintos, geraram o mesmo filho.
Quantas coisas sentimos — e não sabemos de onde vêm? Quantas sombras carregamos — sem entender sua origem? O invisível, às vezes, fala mais alto do que gostaríamos de ouvir. (Entre vidas, p. 46)
Entre vidas e a dádiva de estar vivo
Com uma prosa sensível e confessional, a obra trata a reencarnação não como um fenômeno místico, mas como um caminho de amadurecimento e reparação. Entre capítulos curtos e profundos, o autor entrelaça os ensinamentos de Allan Kardec e Chico Xavier a uma reflexão universal: a morte não possui poder sobre os laços do coração.
Entre vidas é mais que um romance baseado em fatos; é um convite poético para olharmos a nossa existência como uma travessia contínua. É um lembrete de que, mesmo quando o destino parece nos levar para o fundo do rio, a vida sempre encontra um modo de emergir, respirar e recomeçar, transformando a dor do luto na coragem de simplesmente ser.
* Texto produzido com informações da assessoria LC Agência de Comunicação

