Princesa Mononoke é a melhor animação de todos os tempos — e eu te conto o porquê

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Quando Hayao Miyazaki lançou Princesa Mononoke, em 1997, ele não apenas entregou uma obra-prima do Studio Ghibli, mas redefiniu o que a animação pode alcançar. Mais do que um filme “para crianças” ou um conto folclórico japonês, trata-se de um épico cinematográfico que, ao mesmo tempo em que fascina pela beleza visual, mergulha em dilemas filosóficos, políticos e ambientais. É por isso que, quase três décadas depois, o longa retorna aos cinemas insuperável em profundidade e relevância, como a melhor animação de todos os tempos.
O longa conta a jornada de Ashitaka, um príncipe amaldiçoado por uma doença mortal que parte em busca de uma cura no leste. No caminho, ele se vê no centro de um conflito entre animais da floresta e os humanos que exploram seus recursos, liderados por San, a enigmática princesa Mononoke. É uma sinopse simples para um filme que, na prática, é grandioso em cada detalhe e rico em camadas de significado.
O primeiro motivo para essa grandeza está na própria direção de Miyazaki. Poucos cineastas conseguem conciliar tanto lirismo com potência narrativa. Em Princesa Mononoke, ele constrói um mundo que parece simultaneamente mítico e palpável, povoado por deuses-animais, guerreiros e espíritos florestais. A atmosfera é de reverência: quando um personagem clama “Inominável deus da floresta, por que está tão furioso, pare por favor”, sentimos a dimensão sagrada que o diretor dá à natureza. É uma obra que transforma a floresta em personagem viva, e não apenas cenário.
Em segundo lugar, a atualidade dos temas impressiona. O filme fala de desmatamento, ambição e violência como consequências diretas da arrogância humana. “Você diz que está amaldiçoado? E daí, o mundo todo está também”, diz uma personagem, escancarando a ideia de que a maldição não é individual, mas coletiva — um reflexo de como a humanidade corrompe o ambiente e a si mesma. Essa frase ressoa ainda mais forte hoje, em meio à crise climática e às disputas por recursos naturais. É impossível não se reconhecer no espelho que Miyazaki oferece.
Assistir ao filme nos cinemas, em sua nova versão em IMAX, amplia essa experiência para outra escala. As imagens supervisionadas por Atsushi Okui recuperam detalhes da animação tradicional, enquanto os toques digitais pioneiros para a época se mantêm impecáveis. Cada movimento da floresta, cada criatura fantástica e cada batalha ganham uma grandiosidade que torna a sessão um verdadeiro espetáculo sensorial. Não é apenas rever um clássico: é mergulhar em sua dimensão épica como se fosse a primeira vez.
Outro elemento que eleva Princesa Mononoke é a trilha sonora de Joe Hisaishi. Composições que oscilam entre a delicadeza intimista e a imponência orquestral guiam nossas emoções com perfeição. No cinema, a potência sonora envolve o espectador, como se a música fosse também um espírito da floresta nos conduzindo pelo caminho. É impossível dissociar as imagens da força das melodias — um casamento perfeito entre som e visão, que faz da experiência algo inesquecível.
Por fim, é preciso reconhecer o impacto histórico da obra. Ao mesclar técnicas tradicionais e digitais, Miyazaki e o Studio Ghibli estabeleceram novos padrões estéticos e narrativos para a animação mundial. Mas Princesa Mononoke não é apenas um marco técnico: é uma obra que toca em questões universais, inspira gerações e prova que a animação pode ser tão grandiosa quanto qualquer épico em live-action. Rever o filme hoje é, acima de tudo, um convite para refletir sobre o nosso lugar no mundo e sobre o respeito que devemos àquilo que está além de nós — deuses, florestas ou o próprio planeta.
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