Robin Williams "precisava ser engraçado para sobreviver", relembra Stellan Skarsgård
Cinebuzz

Quase três décadas após Gênio Indomável (1997), o ator Stellan Skarsgård (Valor Sentimental) relembrou como foi contracenar com Robin Williams (1951-2014) e destacou o quanto o humor fazia parte da própria sobrevivência emocional do colega de elenco. As declarações foram feitas durante uma sessão especial do filme em Los Angeles, seguida de bate-papo com o público.
Skarsgård contou que, longe dos holofotes, Williams tinha uma postura completamente diferente da energia explosiva que mostrava em cena. “Como pessoa, quando você estava sozinho com ele, era calmo, gentil, adorável e podia falar sobre qualquer assunto”, afirmou. No entanto, segundo o ator, bastava mais gente se aproximar para que o astro mudasse de chave imediatamente.
“Quando chegavam mais pessoas, ele levantava e começava… meio que para se salvar. Acho que era algo que vinha da escola. Ele precisava ser engraçado para sobreviver.”
O ator sueco também recordou que Williams parecia incapaz de guardar uma piada para si. Sempre que tinha uma ideia, precisava externalizá-la. “Ele tinha que produzir a piada e tirá-la do corpo. Não conseguia viver com aquilo dentro”, disse, acrescentando que tinha a sensação de que o colega operava com “três cérebros paralelos, e muito rápidos”.
Essa intensidade criativa impactava diretamente a dinâmica das filmagens. De acordo com o diretor Gus Van Sant, Williams frequentemente pedia novas tomadas para experimentar variações de tom. “Ele era o que dizia: ‘Mais uma, mais uma, mais uma’. Às vezes fazíamos dez tomadas em vez de três, porque ele queria uma rápida, uma lenta, uma feliz, uma triste, uma engraçada, uma nada engraçada”, relembrou o cineasta.
Para Skarsgård, essa abordagem tornava o trabalho estimulante e imprevisível. Cada nova tomada podia levar a cena para um lugar completamente diferente. “Algumas eram muito sombrias, outras muito engraçadas. Nós, os outros atores, precisávamos acompanhar e jogar com essas variações”, explicou.
No filme, Skarsgård interpreta Gerald Lambeau, professor do MIT que descobre o talento genial de Will Hunting, vivido por Matt Damon, e o encaminha para terapia com Sean Maguire, personagem de Williams. Na trama, os dois mentores entram em conflito sobre como guiar o jovem prodígio.
LEIA A MATÉRIA ORIGINAL EM: Robin Williams “precisava ser engraçado para sobreviver”, relembra Stellan Skarsgård
