Pai de mulher trans morta choca com revelação e lamenta: 'Não tem direito a viver?'
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Edson Alves Pereira, pai de Alice Martins Alves, quebrou o silêncio e se pronunciou sobre a morte da filha. A mulher trans, de 33 anos, foi espancada na madrugada do dia 23 de outubro, na Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e faleceu no último domingo, 09/11.
Em entrevista à imprensa, o pai da vítima fez um forte desabafo: “Será que um homossexual não tem direito a viver?”, questionou. “Perdi uma grande amiga, parceira, minha companheira de assistir filmes e tomar uma cervejinha em casa”, relatou.
Edson ainda revelou detalhes do crime: “Três caras estavam esperando por ela. Agrediram violentamente. Quebrou o nariz, várias costelas, e parece que pisaram nas pernas dela, que ficaram roxas. Foi socorrida pelo Samu, não fizeram exames como radiografia ou tomografia. Ela foi encaminhada para a UPA Centro-Sul e em seguida chamou um uber e foi para a casa. Depois que ela voltou para a casa foi só luta. Ela começou a vomitar, não conseguia se alimentar, perdeu 13 quilos. Estava muito fraca e com muita dor”, afirmou.
Em seguida, ele ainda surpreendeu a internet ao revelar que Alice vinha demonstrando medo de sair de casa. “Ela dizia: ‘Pai, não vou sair, estou com medo’. Ficou uns três meses assim. Aí eu falei: ‘Ah, filha, vai dar uma volta, tem muito tempo que você está dentro de casa’. E aí aconteceu o que aconteceu“, lamentou.
Relação entre pai e filha
O pai de Alice Martins também falou sobre a relação dele com a filha. “No principio tem um machismo, no qual fomos educados. Mas desde pequena ela já demonstrava essa tendência. Fui mudando o coração e aceitei. Ela é uma mulher trans”, ressaltou.
“Deixei de viver a minha vida para acompanhar a minha filha. Ela perdeu amigos, deixei de sair para fazer companhia. Eu sou pai, amigo. Já enfrentei pessoas que questionavam ela usar o banheiro feminino. Que ódio é esse? Tem que respeitar, não tem jeito de mudar, não existe tratamento. Precisa haver uma postura de amor ao ser humano. Eles têm direito de viver”, protestou Edson.
O crime
De acordo com o boletim de ocorrência, Alice saia de um bar em direção à Avenida Getúlio Vargas quando foi atacada pelo suspeito. O agressor estava acompanhado de outros dois homens, que riram da situação. A mulher desmaiou e foi socorrida por pessoas no local.
O corpo foi velado na última segunda-feira, 10/11, no Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte. A Polícia Civil informou que o caso é investigado como feminicídio pelo Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios (Neif) do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
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