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Renata Silveira desabafa sobre mulher no futebol: "A resistência ainda é muito grande"
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Renata Silveira desabafa sobre mulher no futebol: "A resistência ainda é muito grande"

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Bons Fluidos
26/06/2026 16h45
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A narradora Renata Silveira segue fazendo história no jornalismo esportivo brasileiro. Aos 36 anos, ela foi a primeira mulher a narrar uma Copa do Mundo na TV aberta e voltou a quebrar barreiras na edição de 2026 ao se tornar a primeira brasileira a transmitir uma partida do Mundial, diretamente de um estádio, para a TV Globo.

Em entrevista à revista CARAS Brasil, concedida na redação do SporTV, no Rio de Janeiro, Renata contou que tenta não pensar na dimensão do público durante as transmissões.

“Quando estou fazendo o jogo, não gosto nem de pensar para quantas pessoas estou falando, quantas estão me assistindo, porque é muita gente”, afirmou.

Renata Silveira fala de preconceito

Apesar do reconhecimento profissional, a narradora diz que ainda enfrenta resistência por ocupar um espaço historicamente dominado por homens. Segundo ela, o preconceito contra mulheres no futebol continua presente dentro e fora dos gramados.

“É muito grande ainda esse preconceito em relação à mulher dentro do futebol, né? Seja na arquibancada, seja a mulher jogando futebol, a mulher apitando um jogo, a mulher comandando uma transmissão”, desabafou.

Pressão aumenta a cada transmissão

A jornalista também falou sobre a cobrança que sente por trabalhar na principal emissora do país. Segundo ela, qualquer erro acaba ganhando uma repercussão muito maior do que ocorreria com colegas homens.

“O meu nome é muito forte em relação a isso, porque trabalhar na Globo é diferente, então o canhão é muito maior. Claro que tem toda aquela parte de estar trabalhando na principal emissora e tal, mas tem um outro lado também: ‘Vamos ver se ela vai conseguir’. É saber que, todo dia que vou fazer um jogo, não estou fazendo só um jogo. Eu não posso errar, porque, se eu errar, vai virar meme. Se eu errar, vai tomar uma proporção muito grande. Se fosse qualquer outro narrador, não teria a mesma repercussão. Então, eu preciso estudar mais, preciso estar mais preparada, porque, se eu errar, vou provar para as pessoas que duvidam de mim que elas estavam certas”, explicou.

Ataques nas redes sociais

Para preservar a saúde mental, Renata revelou que deixou de acompanhar comentários nas redes sociais. Segundo ela, muitas críticas partem de pessoas que sequer assistiram às transmissões.

“Não vale a pena, porque não acrescentam em nada. E, muitas vezes, você vê que a pessoa nem assistiu à sua transmissão e nem sabe quem você é”, disse.

A narradora também chamou atenção para um comportamento frequente do público. De acordo com ela, muitas pessoas associam qualquer narração feminina ao seu nome, independentemente de quem esteja no microfone.

“Não importa quem está narrando: se é narração feminina, é a Renata. Como fui a primeira a narrar e tal, meu nome ganhou uma proporção muito grande. Então, é a narração feminina; se querem falar sobre isso, vão colocar a minha foto, independentemente de ser eu ou não quem está narrando. É como se eu representasse todo mundo ali e a narração feminina fosse tudo igual. E isso fica muito ruim, porque, quando vão avaliar o trabalho de um homem narrando um jogo, é o nome dele que está em pauta. Não é a narração masculina. Com a narração feminina, existe isso: é como se fosse um bolo, um conjunto de coisas, e nada presta. E, quando eles erram, é engraçado, faz parte. A gente não. Se a gente errar… esquece!”, lamentou.

Por fim, Renata afirmou que entende que seu trabalho pode não agradar a todos. No entanto, ela espera que as críticas estejam relacionadas ao desempenho profissional e não ao fato de ser mulher.

“Torço muito para que isso mude. Está tudo bem não gostar do meu trabalho, não gostar do meu estilo, faz parte. O problema é achar que a mulher não pode estar ali pelo fato de ser mulher”, concluiu.

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