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Adolescência e sofrimento emocional: sinais que os pais não devem ignorar
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Adolescência e sofrimento emocional: sinais que os pais não devem ignorar

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Anamaria
27/06/2026 22h00
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Em uma década, os casos de suicídio entre adolescentes cresceram 81%, passando de 3,5 para 6,4 casos por 100 mil adolescentes. Entre menores de 14 anos, a taxa de mortalidade por suicídio subiu 113% entre 2010 e 2019. Hoje, essa é a quarta causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Os dados são da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde.

Nem sempre os casos são precedidos de pedidos explícitos de socorro, em forma de choro ou desabafo. Às vezes, o sofrimento aparece em uma frase dita “de brincadeira”, no isolamento repentino, na irritação constante ou no silêncio que começa a ocupar todos os espaços da casa. A adolescência, de fato, é atravessada por mudanças intensas, mas existe uma linha delicada entre a turbulência esperada e um adoecimento psíquico que precisa de atenção imediata.

Por que os adolescentes estão sofrendo tanto?

Não existe uma única resposta, já que o fenômeno é multifatorial. Mas há fatores que têm pesado profundamente sobre a saúde mental dos jovens. Entre eles, o impacto das redes sociais e da hiperconexão aparece como um dos mais importantes.

“Há uma correlação significativa entre o aumento do uso de smartphones e redes sociais e o crescimento dos índices de depressão, ansiedade e suicídio entre adolescentes a partir de 2012”, explica Carolina Nassau Ribeiro, doutora em Psicanálise e autora do livro Suicídio na adolescência: uma abordagem psicanalítica.

Ao mesmo tempo em que permanecem constantemente conectados, muitos relatam sensação de solidão, comparação permanente e pressão excessiva por desempenho. É preciso ser bom na escola, bonito, popular, produtivo e interessante o tempo inteiro, inclusive online. 

“Estamos lidando com uma geração hiperconectada e profundamente solitária. O que está em jogo, na maioria dos casos, não é um desejo de morte, mas a necessidade de fazer um intervalo”, afirma a psicóloga.

No silêncio, um pedido de ajuda

Afastamento repentino de amigos, perda de interesse por atividades que antes davam prazer, falas frequentes sobre desaparecer ou calmaria após períodos de intensa angústia são comportamentos que merecem atenção imediata. 

“O adolescente que oscila, mas ainda mantém vínculos, tem amigos, ainda fala, ainda se endereça a alguém, está, na maioria dos casos, dentro do esperado. Já aquele cujo sofrimento começa a aparecer exclusivamente em atos no corpo, aquele sem palavras é o que mais deve preocupar”, detalha a especialista. 

O que fazer quando os sinais aparecem?

Quando um adolescente verbaliza vontade de desaparecer, morrer ou demonstra desesperança constante, a reação da família faz toda a diferença. Minimizar o problema ou reagir com desespero pode fechar ainda mais o espaço de diálogo. “A primeira coisa é não recuar. O adolescente precisa sentir que o adulto suporta ouvir”, diz Carolina. Algumas atitudes ajudam, enquanto outras podem piorar o sofrimento:

O que fazer

  • Escutar sem interromper ou julgar;
  • Demonstrar disponibilidade emocional;
  • Fazer perguntas com calma e acolhimento;
  • Observar mudanças bruscas de comportamento;
  • Procurar ajuda especializada o quanto antes;
  • Manter presença e rotina de cuidado.

O que evitar

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1524, de 5 de junho de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader

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Leia a matéria original aqui.

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