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Carnaval para quem? Assédio sexual ainda afasta mulheres da folia
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Carnaval para quem? Assédio sexual ainda afasta mulheres da folia

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Anamaria
19/02/2026 13h38
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Quase metade das brasileiras já viveu uma situação de assédio sexual no Carnaval. O dado, por si só, é alarmante. Segundo pesquisa recente do Instituto Locomotiva, 47% das mulheres afirmam já ter sido assediadas durante a festa. Além disso, 80% delas dizem sentir medo de passar por esse tipo de violência ao aproveitar a folia.

Outro número reforça a gravidade do cenário: 86% dos entrevistados reconhecem que o assédio sexual no Carnaval ainda existe. Ou seja, apesar do clima de festa, o problema segue presente e interfere diretamente no direito das mulheres ao lazer, à cidade e aos espaços públicos.

Assédio sexual no Carnaval limita o direito de ir e vir

De acordo com Maíra Saruê, diretora de pesquisa do instituto, o impacto do assédio vai muito além de um episódio isolado. Em entrevista à Agência Brasil, ela explica que o problema compromete direitos básicos. “Estamos falando do direito ao lazer e do acesso à cidade. Participar ou não do Carnaval é uma escolha individual, mas poder acessar a festa com segurança é um direito fundamental”, afirma.

No entanto, muitas mulheres acabam mudando completamente a forma como vivem a folia. Para se proteger, elas adotam estratégias individuais, como andar apenas em grupo, evitar determinados horários ou planejar rotas consideradas mais seguras. Assim, aquilo que deveria ser leve e espontâneo se transforma em tensão e vigilância constante.

Assédio sexual no Carnaval
Bloco Mulheres Rodadas se apresenta no Largo do Machado, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Crenças que normalizam a violência sexual

Ainda mais grave, 10% dos entrevistados consideram aceitável que um homem “roube” um beijo de uma mulher alcoolizada — percentual que sobe para 12% entre os homens. Para Maíra, essas ideias afastam mulheres da festa e reforçam o medo constante de serem desrespeitadas.

Combater o assédio é responsabilidade de todos

Segundo Maíra Saruê, mudar esse cenário exige transformação de comportamento e responsabilidade social. “O assédio não é um problema das mulheres, é da sociedade. Precisamos rever atitudes para que elas sejam respeitadas e se sintam seguras”, conclui.

Resumo: Quase metade das mulheres brasileiras já sofreu assédio sexual no Carnaval.
O medo impacta diretamente o direito ao lazer e à cidade. Crenças que normalizam a violência ainda persistem. Especialistas defendem responsabilidade coletiva e mudança de comportamento.

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Leia a matéria original aqui.

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