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Como ensinar que feriados não são só folga? Um pouco de história, cidadania e identidade às crianças
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Como ensinar que feriados não são só folga? Um pouco de história, cidadania e identidade às crianças

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Anamaria
19/04/2026 20h30
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Os feriados fazem parte do calendário anual e é sempre muito aguardado quando caem em dias de semana. Afinal, quem não quer um dia de folga, seja no trabalho ou na escola? Entretanto, por trás de cada data há histórias, personagens e acontecimentos que ajudaram a moldar a sociedade em que vivemos. E para as crianças, especificamente, compreender esse contexto pode ser uma oportunidade enorme de aprendizado.

Ana Claudia Santos, mãe das gêmeas Luiza e Helena, de 8 anos, conta que sempre explica para as meninas o porquê dos feriados, mesmo quando caem no final de semana ou no período de férias. “Quando esses momentos são apresentados apenas como dias de folga, perdemos a chance de despertar a curiosidade e o senso crítico desde cedo. Explicar o significado de cada feriado, usando uma linguagem que entendam, permite que comecem a construir referências sobre identidade cultural, cidadania e memória, que são fundamentais para a formação de indivíduos mais conscientes”, avalia.

Para Priscilla Lauro, pedagoga e diretora do Colégio Arnaldo, de Belo Horizonte, e Creche Nosso Abrigo, não se trata apenas de ensinar o que aconteceu, mas de ajudar essa criança a compreender por que aquilo tudo importa. “Por que é feriado? Feriado é decorrente de algum motivo. Que história é essa? A criança precisa começar a perceber a sociedade, entendendo que tudo o que acontece aqui é resultado de um processo histórico, que as decisões humanas trazem uma transformação ao longo do tempo. E isso, com a criança, favorece uma aprendizagem mais significativa, mais duradoura, colocando-a para ser crítica, em oposição a ações em que ela vai apenas memorizar. Com isso, ela desenvolve mais as noções de pertencimento à cultura e da sua identidade social. Ela também faz parte dessa história coletiva, ela contribui diretamente para esse processo”.

Datas comemorativas, sejam nacionais e internacionais, carregam um passado de lutas e conquistas. E ao explicar para as crianças sobre o assunto, pais e educadores vão ajudar a transformar o calendário em uma ferramenta educativa, conectando o passado e o presente de maneira lúdica e significativa nessa fase infantil. E na matéria de hoje, aproveitando como gancho os feriados que acontecem nas próximas semanas, especialistas em educação explicam como abordar esses temas no dia a dia e por que essa prática pode fazer diferença no desenvolvimento das novas gerações.

Diversão, mas com aprendizado

Ao planejar como serão os feriados, as famílias e as escolas podem ajudar a construir uma compreensão mais ampla sobre a história e a cultura por trás dessas datas. Seja por meio de atividades lúdicas, histórias ou vivências, é possível despertar a curiosidade dos pequenos e reforçar o papel educativo desses momentos, mostrando que se divertir e aprender não são caminhos opostos, mas complementares.

Para Marina Tiso, que é psicopedagoga da Camino School, embora os dias comemorativos e os feriados façam parte do calendário escolar e social, seu potencial educativo nem sempre é explorado de forma significativa. “Muitas vezes, essas datas são tratadas apenas como momentos de celebração, folga ou atividades pontuais, como cantar músicas temáticas ou vestir fantasias, o que pode esvaziar seu significado real, com práticas repetitivas e, muitas vezes, superficiais. (…) De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a escola tem o papel de promover aprendizagens que ajudem as crianças a compreender a si mesmas, o outro e o mundo, valorizando a diversidade cultural e desenvolvendo o pensamento crítico. Nesse sentido, os feriados devem ser planejados dentro do currículo pedagógico, de forma intencional, tornando-se oportunidades reais de aprendizagem e não eventos isolados”, avalia.

É importante, também, traduzir os acontecimentos sem distorcer os fatos, mas adequando à faixa etária. “A criança pequena entende melhor por meio de histórias, de forma lúdica, usando exemplos que ela conhece e de forma simplificada. Já as maiores lidam melhor com causa e consequência, ou seja, explicando o que e quando aconteceu e o que gerou. Dessa forma há o entendimento do lado histórico, mas também do que gerou para a atualidade”, esclarece Priscilla.

Além da escola, que contribui ao contextualizar historicamente as datas, promovendo reflexões e conexões com o currículo, a participação das famílias é essencial nesse processo. “É no contexto familiar que muitas práticas culturais ganham vida, por meio de histórias, tradições, memórias e experiências compartilhadas. Quando as famílias conversam com as crianças sobre o significado das datas, relacionam os feriados com sua própria história e valorizam diferentes culturas, contribuem para ampliar e aprofundar as aprendizagens iniciadas na escola. E ao elaborar essas datas unindo o que a escola e a família ensinam, as crianças conseguem estabelecer relações entre passado e presente, compreender diferentes realidades e atribuir sentido ao que vivenciam”, pontua Marina.

Mas quais estratégias práticas as famílias podem incluir no dia a dia para que as crianças compreendam melhor essas datas? Para Priscilla, algumas atividades e ações simples podem ser eficazes e ajudar. Abaixo, ela sugere algumas:

– Conversas no cotidiano: aproveitar o feriado para perguntar: “Você sabe por que hoje não é um dia comum? Por que hoje é feriado?”;

– Uso de histórias e filmes: trazer narrativas sobre o que aconteceu, conectando emocionalmente com o tema e com a vida atual;

– Conexões com a realidade: por exemplo, no Dia do Trabalho, conversar sobre as profissões da família e o que cada pessoa faz;

– Atividades práticas: desenhos, dramatizações, pesquisas guiadas;

– Dar espaço para perguntas: é importante demais deixar a criança perguntar. Não tem problema não saber, a gente busca a resposta junto com ela.

 

Por dentro do feriado

Mais do que decorar datas, entender o porquê de cada feriado contribui para que a criança desenvolva empatia, respeito e pertencimento.

E Marina vai além, explicando as cinco datas que considera mais importantes do calendário anual. “Em 19 de abril é comemorado o Dia dos Povos Indígenas, que vai proporcionar reconhecer a diversidade dos povos indígenas, seus modos de vida e sua importância na formação do Brasil, além de discutir respeito, direitos e superação de estereótipos. Dia 21 de abril, Tiradentes, é a data que celebra uma figura importante da Inconfidência Mineira e pode ser trabalhada como introdução a temas como liberdade, participação política, movimentos históricos e como a ideia de um herói pode ser construída. Dia 1º de maio, Dia do Trabalhador, relaciona-se às lutas por direitos trabalhistas e possibilita discutir o valor do trabalho, as diferentes profissões e a importância dos direitos sociais. Já no 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, é uma data que marca o processo de independência do Brasil em relação a Portugal. É uma oportunidade para discutir o que significa um país ser independente e como esse processo impacta a sociedade até hoje. E, por fim, mas igualmente importante, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. A data homenageia Zumbi dos Palmares e promove reflexões sobre a história da população negra no Brasil, incluindo a escravidão, a resistência e a luta por direitos, além de valorizar a cultura afro-brasileira”.

Direto ao Ponto

A seguir, Priscilla Lauro e Marina Tiso falam um pouco mais sobre a importância dos pequenos entenderem sobre o motivo de cada feriado.

Aventuras Maternas – Como os pais e educadores podem abordar temas mais complexos, como independência, conflitos ou mudanças sociais, de forma acessível e adequada para diferentes faixas etárias?

Aventuras Maternas – De que maneira o entendimento sobre os feriados pode contribuir para o desenvolvimento do senso crítico, da identidade cultural e da cidadania das crianças?

 

Leia a matéria original aqui.

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