Crianças empreendedoras: veja como ajudar seu filho a ter sucesso no futuro
Anamaria

O jeito como crianças e adolescentes enxergam trabalho e renda mudou. Com acesso constante a conteúdos digitais e novas referências, o interesse por independência financeira aparece cada vez mais cedo. Um levantamento da Companhia de Estágios em parceria com o Opinion Box mostra esse cenário com clareza, 80% dos jovens de até 17 anos afirmam que pretendem ter o próprio negócio no futuro. Mais do que um dado curioso, o número aponta para uma mudança de mentalidade, em que o empreendedorismo deixa de ser um plano distante e passa a fazer parte do repertório desde a infância.
Empreender não começa na vida adulta
Para quem acompanha esse movimento de perto, o ponto de partida não está na abertura de uma empresa, mas no desenvolvimento de habilidades. “Empreender não é só abrir uma empresa. É desenvolver autonomia, senso de responsabilidade e capacidade de tomar decisões. E isso pode e deve ser estimulado desde a infância”, explica Deivyd Barros, empreendedor e fundador da Investeens. Essa visão amplia o conceito de empreendedorismo, que passa a incluir atitudes do dia a dia, como organização, planejamento e responsabilidade com tarefas simples.
Pequenas iniciativas, grandes aprendizados
Uma das formas mais acessíveis de introduzir esse universo é por meio de atividades simples, que não exigem alto investimento e podem ser feitas em casa.
Esse movimento, conhecido como nanoempreendedorismo, permite que crianças e adolescentes experimentem na prática como funciona a relação entre esforço, produção e ganho. “O nanoempreendedorismo permite aprender fazendo, sem grandes riscos. A criança ou adolescente começa pequeno, testa ideias e vai entendendo, na prática, como o dinheiro funciona”, ensina.
Tipos de atividades para começar
Entre as possibilidades mais comuns estão atividades que fazem parte do cotidiano, mas ganham um novo significado quando organizadas com propósito. No caso do artesanato e de produtos personalizados, por exemplo, o aprendizado vai além da criatividade. “Muitas vezes, com ferramentas simples, já é possível criar produtos e vender para conhecidos ou pelas redes sociais. Isso ensina desde cedo sobre custo, preço e lucro”, diz.
Já a venda de alimentos caseiros aparece como uma das experiências mais completas. “Fazer brigadeiros, bolos, pipocas doces ou outros alimentos para vender é uma das formas mais clássicas e eficientes de aprender sobre dinheiro e esforço.”
Há também espaço para serviços simples, como cuidar de animais. “Serviços simples, como passear com cães ou ajudar vizinhos com seus animais, já introduzem noções de responsabilidade e troca.”
Para adolescentes, o ambiente digital amplia as possibilidades. “Atividades como edição básica, design ou produção de conteúdo podem virar fonte de renda inicial.”
Outra alternativa está na revenda de produtos. “Comprar e revender itens também ajuda a desenvolver visão de oportunidade e entendimento de mercado.”
O aprendizado vai além da venda
Mais importante do que o resultado financeiro é o processo envolvido. Quando a criança participa de todas as etapas, da ideia até a entrega, ela passa a compreender o dinheiro de forma concreta, associando ganho a planejamento e esforço. Esse tipo de experiência contribui para uma relação mais consciente com o consumo e com o próprio trabalho no futuro.
E isso tem tudo a ver com educação financeira. “Ensinar uma criança a planejar, guardar e investir é tão importante quanto ensinar matemática ou português. Isso muda completamente a relação dela com o dinheiro no futuro”, diz. Na prática, isso pode começar com atitudes simples, como envolver a criança em decisões de compra, incentivar o hábito de guardar parte do dinheiro e mostrar como funcionam escolhas e prioridades.

O papel da família e da escola nesse processo
A construção dessa mentalidade não depende apenas da criança. O ambiente ao redor tem papel decisivo. Entre as estratégias que podem ajudar estão:
- A vivência prática, com espaço para testar ideias e aprender com erros e acertos. “Não adianta ser só teoria. É preciso colocar a criança para pensar, testar e aprender com erros e acertos.”
- A presença de referências próximas, que inspirem ou orientem. “Ter alguém que inspire ou oriente faz toda a diferença. Muitas vezes, esse papel pode vir de dentro da própria família.”
- O uso de recursos acessíveis, especialmente digitais. “Hoje, com internet e redes sociais, já é possível começar muita coisa com custo quase zero. Saber usar isso é um diferencial enorme.”
Muito além de ganhar dinheiro
Estimular o empreendedorismo na infância não significa transformar crianças em adultos precoces ou pressioná-las por resultados financeiros. A proposta é preparar para escolhas mais conscientes e para uma relação mais equilibrada com o dinheiro. “Quando a gente ensina uma criança a empreender, estamos ensinando ela a pensar, a se organizar e a construir seus próprios caminhos. O dinheiro passa a ser consequência, não o objetivo principal”, conclui Deivyd.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1519, de 1 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.