Estudo da USP aponta melhora cognitiva, emocional e social em idosos com método brasileiro de estimulação
Anamaria

Um estudo conduzido por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), em parceria com a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e o Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento, identificou melhora em funções cognitivas e indicadores de bem-estar em idosos submetidos a um programa de estimulação cognitiva.
A pesquisa acompanhou 207 pessoas com 60 anos ou mais ao longo de dois anos. Os participantes foram expostos a atividades sistematizadas que envolvem exercícios de memória, raciocínio, atenção e linguagem.
De acordo com os resultados, foram observados ganhos em fluência verbal, flexibilidade mental, funções executivas e cognição global. O estudo também registrou impacto funcional na autonomia dos participantes, além da manutenção dos benefícios por até 12 meses após o período de intervenção.
O método avaliado, denominado Supera, consiste em aulas semanais com duração média de duas horas, que incluem jogos de tabuleiro e digitais, exercícios com ábaco, desafios cognitivos e atividades de linguagem. As sessões são realizadas em grupo.
Além dos aspectos cognitivos, o estudo identificou melhora em indicadores de bem-estar entre os participantes das atividades presenciais. Relatos coletados durante a pesquisa apontam redução de sintomas associados ao isolamento social e percepção de aumento no senso de pertencimento.
Segundo a coordenação pedagógica do programa, os efeitos observados são mais evidentes em idosos sem diagnóstico de demência. Em casos de doenças neurodegenerativas, a estimulação cognitiva é utilizada com foco na preservação de funções ainda mantidas.
O Supera é uma empresa brasileira de educação voltada à estimulação cognitiva, com sede em São José dos Campos (SP) e atuação nacional, com mais de 250 unidades. A metodologia é aplicada a diferentes faixas etárias.
A divulgação dos dados ocorre durante o Brain Awareness Month (Mês Mundial do Cérebro), iniciativa da Dana Foundation, voltada à conscientização sobre saúde cerebral.
Dados do IBGE indicam que o Brasil possui mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 15,6% da população. A projeção é de que esse grupo ultrapasse o número de crianças nas próximas décadas.
Levantamento do Datafolha aponta que o Alzheimer é a segunda doença mais temida pelos brasileiros, atrás apenas do câncer, e que quatro em cada 10 pessoas afirmam conhecer alguém diagnosticado com a condição.
