Existe crescimento profissional após a maternidade? Veja como essa inclusão pode ser feita!
Anamaria

Conciliar carreira e maternidade segue sendo um desafio para muitas mulheres no Brasil. O problema, no entanto, vai além da rotina puxada ou da falta de tempo. Na prática, o que pesa é a ausência de políticas e processos claros dentro das empresas.
A dificuldade aparece desde a contratação até a permanência e o crescimento dessas profissionais. Sem uma estrutura preparada, a maternidade acaba sendo tratada como um obstáculo, quando poderia ser apenas mais uma fase da vida profissional.
O ponto central está na forma como as organizações lidam com essa realidade. “Como mãe e atuando diretamente com empresas, vejo que ainda existe uma dificuldade real em estruturar práticas que considerem a maternidade como parte da jornada profissional. Muitas vezes, faltam diretrizes claras e preparo das lideranças para lidar com essa realidade”, afirma Flávia Mentone, especialista em inclusão e CEO da Reponto.
O retorno ao trabalho é um dos momentos mais críticos
A volta da licença-maternidade costuma ser uma fase delicada. Muitas mulheres retornam a um ambiente que mudou, com novas demandas, equipes diferentes e expectativas desalinhadas. Sem um plano de transição, o impacto pode ser direto no desempenho e no bem-estar. Empresas que estruturam esse retorno tendem a reduzir a sobrecarga e aumentar a permanência dessas profissionais.

Uma das estratégias apontadas é a retomada gradual, com metas ajustadas nas primeiras semanas, respeitando o período de readaptação.
Função e rotina também precisam ser revistas
Outro ponto importante é a revisão do escopo de trabalho. Durante a ausência, funções podem ter sido alteradas ou acumuladas por outras pessoas. Ao retornar, é essencial reorganizar prioridades e redistribuir tarefas, evitando que a profissional precise lidar com demandas desalinhadas ou excessivas. Esse ajuste contribui para uma adaptação mais eficiente e reduz o risco de sobrecarga logo no início.
Flexibilidade precisa ter regra clara
Oferecer flexibilidade virou prática comum, mas ainda falta consistência na forma como ela é aplicada. Situações como filho doente ou adaptação escolar fazem parte da rotina e exigem respostas estruturadas. Empresas que definem políticas claras sobre ausências, comunicação e compensação conseguem evitar conflitos e reduzir desgastes no dia a dia.
Crescimento não pode ser interrompido
Um erro frequente é afastar mães de projetos estratégicos sob a justificativa de proteção. Essa decisão, na prática, limita o desenvolvimento profissional. Manter essas mulheres visíveis dentro da empresa e incluídas em oportunidades de crescimento é parte fundamental de uma cultura mais equilibrada. Para Flávia, o avanço depende de mudanças concretas na forma como as empresas se organizam.
“Quando as empresas estruturam melhor seus processos, conseguem lidar de forma mais eficiente com momentos como a maternidade ao longo da jornada profissional”, conclui.
A inclusão de mães no mercado de trabalho passa menos por intenção e mais por ação. Lideranças preparadas, políticas bem definidas e processos claros fazem diferença na prática. Quando essa estrutura existe, a maternidade deixa de ser vista como um desafio e passa a ser incorporada de forma natural à trajetória profissional.
Resumo:
A inclusão de mães no mercado de trabalho ainda enfrenta barreiras estruturais. Falta de políticas claras, retorno mal planejado e ausência de oportunidades impactam a carreira. Empresas que organizam processos e oferecem suporte consistente conseguem reter e desenvolver essas profissionais.
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