Férias de julho e autismo: 5 dicas para viajar e passear com o seu filho TEA sem crises
Anamaria

As férias escolares costumam ser sinônimo de viagens, passeios, visitas a familiares e dias diferentes da rotina. Mas, para muitas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), tantas mudanças em pouco tempo podem representar um desafio.
Ambientes cheios, barulho, luzes intensas, novos lugares e alterações na programação podem provocar desconforto e aumentar a ansiedade. Por isso, especialistas orientam que o planejamento seja parte importante das férias, ajudando a tornar as experiências mais previsíveis e respeitando as necessidades de cada criança.
Segundo Bárbara Calmeto, neuropsicóloga e diretora do Autonomia Instituto, a preparação deve começar antes mesmo do passeio. “É importante contextualizar previamente os ambientes que a criança irá frequentar, explicando como será a rotina, quais estímulos ela poderá encontrar e quais estratégias poderá utilizar caso se sinta desconfortável. Essa familiarização ajuda a reduzir a ansiedade e aumenta a sensação de segurança”, explica.
Mudar a rotina exige preparação
Embora as férias sejam um período de descanso, isso não significa que toda a estrutura da rotina precise desaparecer. Para muitas crianças com TEA, saber o que vai acontecer ao longo do dia contribui para diminuir a insegurança diante de situações novas.
“A previsibilidade continua sendo uma grande aliada. Mesmo durante um período de descanso, é possível preparar a criança para o que irá acontecer, respeitando sempre seus limites e necessidades sensoriais”, acrescenta Bárbara. Confira algumas estratégias que podem ajudar.
1. Explique os passeios com antecedência
2. Respeite o tempo da criança
Nem toda programação precisa ser cumprida. Durante as férias, é comum surgirem convites para festas, encontros familiares e passeios, mas isso não significa que a criança precise participar de todos. Respeitar os limites individuais ajuda a evitar situações de sobrecarga e torna a experiência mais agradável para toda a família.
3. Inclua momentos de pausa no roteiro
Passeios longos ou ambientes muito movimentados podem exigir intervalos. Sempre que possível, identifique locais tranquilos onde a criança possa descansar por alguns minutos caso demonstre sinais de desconforto. Uma sala mais silenciosa, um espaço ao ar livre ou até o próprio carro podem funcionar como locais de descanso temporário.
4. Conheça os estímulos que causam desconforto
Cada criança com TEA apresenta características e sensibilidades diferentes. Enquanto algumas se incomodam mais com sons altos, outras podem reagir à iluminação intensa, ao excesso de pessoas ou às mudanças inesperadas na rotina. Conhecer esse perfil sensorial ajuda a escolher passeios mais adequados e permite fazer adaptações quando necessário.

5. Leve objetos que tragam segurança
Itens familiares podem ajudar a criança a lidar melhor com ambientes desconhecidos. Brinquedos preferidos, livros, mantas, almofadas, fones com redução de ruído ou outros objetos que façam parte da rotina costumam transmitir sensação de segurança durante viagens e passeios. Pequenos recursos como esses podem facilitar a adaptação em momentos de maior estímulo.
O acompanhamento terapêutico também faz diferença
Além do planejamento familiar, especialistas destacam que algumas crianças podem se beneficiar de estratégias desenvolvidas em acompanhamento profissional. Entre elas estão a dessensibilização sistematizada, conduzida por psicólogos, e atividades de integração sensorial realizadas por terapeutas ocupacionais. Essas abordagens ajudam a criança a lidar gradualmente com diferentes estímulos, sempre respeitando seu ritmo e suas necessidades.
O objetivo é aproveitar as férias com mais tranquilidade
Nem sempre será possível evitar imprevistos ou situações desafiadoras, mas adaptar o planejamento à realidade da criança pode tornar esse período mais leve. Com organização, previsibilidade e respeito aos limites individuais, as férias podem ser uma oportunidade para criar boas experiências sem abrir mão do conforto e do bem-estar da criança.
Resumo:
Passeios e viagens durante as férias de julho podem representar desafios para crianças com TEA devido às mudanças de rotina e ao excesso de estímulos. Segundo a neuropsicóloga Bárbara Calmeto, preparar a criança com antecedência, respeitar seus limites e planejar momentos de pausa ajudam a tornar esse período mais tranquilo para toda a família.
Leia também:
