Golpes do amor: conheça e fuja deles!
Anamaria

A situação foi identificada após uma abordagem da Brigada Militar, que encontrou a mulher dentro de um veículo estacionado nas proximidades do aeroporto. Aos policiais, ela relatou que mantinha contato frequente com o suposto ator por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. Segundo o depoimento, o vínculo havia se fortalecido ao longo do tempo, com planos de oficializar a união e até de casamento na região.
Como funciona o golpe do falso amor?
Ele segue um padrão que se repete em diferentes contextos. O contato inicial costuma acontecer pelas redes sociais, aplicativos de namoro ou mensagens privadas. O golpista cria um perfil atrativo, muitas vezes, usando fotos de pessoas famosas ou de desconhecidos com aparência considerada ideal.
A relação avança rapidamente. Em pouco tempo surgem declarações intensas, promessas de compromisso e planos de vida em comum. Esse processo é conhecido entre investigadores como “amor relâmpago”, justamente por acelerar etapas emocionais que, em relações reais, levariam meses ou anos.
Com o vínculo estabelecido, aparecem histórias que justificam pedidos de ajuda: dificuldades para viajar, problemas com documentos, bloqueios bancários, emergências médicas ou supostos envios de presentes que exigem taxas para liberação. O objetivo é sempre o mesmo: obter dinheiro, bens ou informações sensíveis.
Fique atenta!
Outra “modalidade” de golpe do amor envolve homens que afirmam viver no Oriente Médio ou na Europa. Nessas situações, o relacionamento começa com longas conversas, muitas vezes mediadas por tradutores automáticos, e evolui para pedidos cada vez mais invasivos.
Em diversos relatos, o discurso inicial é de um relacionamento sério, seguido por solicitações de dinheiro relacionadas a viagens, vistos, encomendas ou emergências. Quando a vítima se recusa, o comportamento costuma mudar de forma abrupta, com agressões verbais, chantagem emocional ou desaparecimento repentino.
Impactos emocionais
Além do prejuízo financeiro, o golpe do amor deixa marcas emocionais profundas. Vergonha, culpa, sensação de humilhação e perda de autoestima são comuns entre as vítimas, o que contribui para a subnotificação dos casos.
Levantamento da Hibou Pesquisas e Insights aponta que quatro em cada dez mulheres brasileiras já foram vítimas de algum tipo de estelionato afetivo. Entre elas, parte significativa relatou perdas financeiras superiores a R$ 5 mil, além de impactos emocionais duradouros.
Especialistas destacam que mulheres acima dos 40 anos e pessoas em situação de solidão ou transição emocional costumam ser alvos preferenciais, justamente por estarem mais abertas à construção de vínculos afetivos.
Cuidado com a tecnologia!
No Brasil, o estelionato afetivo já é reconhecido como crime, especialmente quando há comprovação de vantagem financeira obtida por meio de manipulação emocional. Em 2024, a Câmara dos Deputados aprovou projeto que aumenta a pena para estelionato cometido com base em relação afetiva ou de confiança, com previsão de prisão de três a nove anos, além de multa.
Só que, quando o golpe é praticado por criminosos que atuam fora do país, a recuperação do dinheiro e a punição dos responsáveis se tornam mais complexas.
O que fazer se for vítima?
- Reúna provas, como mensagens, áudios, comprovantes de transferências, nomes e informações do golpista;
- Registre boletim de ocorrência;
- Busque um advogado para entrar com ação civil (indenização) e criminal (processo penal).
Proteja-se!
Evitar compartilhar dados pessoais, documentos, endereço, informações bancárias ou rotina diária é fundamental, mesmo após semanas de conversa. Pedidos de dinheiro, cartões-presente, transferências via Pix ou criptomoedas são sinais claros de alerta.
Não migre a conversa para o WhatsApp. Os aplicativos de relacionamentos oferecem mecanismos de denúncia e monitoramento. Antes de qualquer encontro presencial, prefira locais públicos, avise alguém de confiança e utilize transporte próprio.
Pesquise tudo o que puder e, diante de qualquer comportamento suspeito, a denúncia deve ser feita tanto ao aplicativo quanto às autoridades policiais.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1505, de 23 de janeiro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.