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“Isso é coisa de mulher”? Entenda o que é comunicação sexista e como eliminá-la no trabalho
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“Isso é coisa de mulher”? Entenda o que é comunicação sexista e como eliminá-la no trabalho

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Anamaria
16/05/2026 19h00
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Você já ouviu no escritório que “mulher tem de se dar ao respeito” ou que determinada atitude “é coisa de mulher”? Embora pareçam comentários informais, essas expressões carregam um peso enorme. Uma pesquisa realizada pela Skol em parceria com o Ibope, com mais de 2 mil pessoas, revelou que o machismo nas empresas ainda é uma realidade gritante: 66% dos homens e 57% das mulheres admitiram já ter usado frases sexistas. Mudar esse cenário é urgente para garantir um ambiente saudável.

Machismo nas empresas: a barreira invisível da linguagem

A comunicação sexista acontece quando usamos palavras ou expressões que discriminam, diminuem ou reforçam estereótipos baseados no gênero. No dia a dia profissional, isso muitas vezes se manifesta através de “brincadeiras” ou julgamentos sobre a capacidade técnica das mulheres. ”Revisar esse vocabulário é um passo vital. Afinal, a linguagem não apenas comunica, mas molda comportamentos e pode perpetuar preconceitos que impedem o crescimento feminino”, afirma a especialista em comunicação, Isabella Saes.

De acordo com o levantamento citado, frases carregadas de julgamento ainda são comuns em interações sociais e profissionais. Por exemplo, Quando um colega pergunta “você está de TPM?”, ele não está apenas fazendo uma pergunta biológica; ele está deslegitimizando a opinião de uma profissional ao associá-la a uma suposta instabilidade emocional, por isso, é bom ficar ligada! 

Como identificar e cortar frases sexistas hoje mesmo

Para transformar a cultura organizacional, é preciso substituir termos problemáticos por uma postura neutra e profissional. Veja como fazer isso na prática:

  • “Não vai começar a chorar, né?”
    Em vez disso: “Quer um momento antes de continuarmos?”
    A troca tira o deboche e abre espaço para o diálogo.
  • “Você é muito sensível”
    Em vez disso: “Quais pontos dessa situação você considera mais críticos?”
    Aqui, a mudança desloca o foco da desqualificação para a escuta..
  • “Nossa, mas você está estressada hoje”
    Em vez disso: “Percebi que algo te incomodou. Quer compartilhar?”
    Evita rotular a mulher como emocional e convida à conversa.
  • “Isso é coisa de mulher”
    Em vez disso: eliminar completamente esse tipo de associação.
    Comentários assim reforçam estereótipos e não devem ser normalizados no ambiente profissional.
  • “Deixa que um homem resolve isso”
    Em vez disso: “Quem tem mais familiaridade com esse tema pode assumir?”
    A mudança retira o viés de gênero e valoriza a competência.
  • “Você dá conta mesmo? É pesado…”
    Em vez disso: “Você se sente confortável em assumir essa tarefa?”
    Aqui, a diferença está em não pressupor limitação baseada em gênero.
  • “Ela é mandona” (para mulheres em posição de liderança)
    Em vez disso: “Ela tem uma liderança firme e direta”
    Homens são chamados de líderes, mulheres não devem ser rotuladas negativamente pelo mesmo comportamento.
  • “Está de TPM?”
    Em vez disso: evitar completamente esse tipo de comentário.
    Além de invasivo, reforça a ideia de que emoções femininas são descontroladas ou inválidas.
  • “Para uma mulher, até que você entende bem disso”
    Em vez disso: “Você domina muito bem esse assunto”
    A versão correta reconhece a competência sem comparações ou surpresas enviesadas.
  • “Preciso de alguém mais racional para essa decisão”
    Em vez disso: “Vamos analisar os dados e decidir com base nos critérios do projeto”
    A frase original carrega o estereótipo de que mulheres são menos racionais.

Misoginia é crime!

O Senado aprovou um projeto de lei que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito e discriminação no Brasil. Pelo texto, passa a ser considerada crime qualquer conduta que expresse ódio, aversão ou desprezo contra mulheres, com pena prevista de dois a cinco anos de prisão, além de multa. A proposta também insere a “condição de mulher” entre os critérios da Lei do Racismo, equiparando esse tipo de violência a outras formas de discriminação já previstas na legislação.

Na prática, a mudança amplia a gravidade jurídica da misoginia, que antes era tratada apenas como injúria ou difamação, com penas mais leves. A nova proposta busca reconhecer que esse tipo de comportamento não é pontual, mas estrutural e com impacto direto na violência contra mulheres.

Leia também: Microfeminismo: pequenos atos de protesto no dia a dia

Leia a matéria original aqui.

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