'Limpou ou passou bebida': quais são os perigos do álcool para crianças?
Anamaria

Um vídeo do cantor sertanejo Leonardo ao lado do neto, José Leonardo, gerou grande repercussão nas redes sociais nesta semana. Na gravação, publicada nos stories do Instagram, o artista aparece com a criança no colo em frente a um espelho e encosta o dedo molhado com bebida alcoólica no rosto do menino.
Rapidamente, internautas começaram a questionar a atitude. Muitos perguntaram se o gesto serviu apenas para limpar a boca da criança ou se houve contato direto com a bebida. “Se fosse um pobre, o conselho tutelar já teria agido, mas…”, ironizou uma internauta. “Limpou a boca ou deu bebida? Se na minha época de infância tivesse rede social como tem hoje e gente filmando tudo, minha família toda ia presa”, opinou outro.
Enquanto isso, a influenciadora Virginia Fonseca contou que precisou adiar uma viagem a Madri por causa da saúde dos três filhos. Segundo ela, todos apresentaram sintomas como vômito e tosse durante a madrugada.
Apesar de o vídeo não confirmar ingestão de álcool pela criança, especialistas aproveitam o momento para lembrar que a exposição precoce à bebida merece atenção e cuidado.
Perigos do álcool para crianças e adolescentes
Especialistas alertam que os perigos do álcool para crianças vão muito além de um episódio isolado. Durante a infância e a adolescência, o cérebro ainda está em formação e qualquer contato com álcool pode provocar impactos importantes. “Nesta fase, o cérebro está em desenvolvimento e pode sofrer mudanças duradouras em
decorrência do uso de álcool”, alerta Mariana Thibes, coordenadora do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool.
O comprometimento de várias funções cerebrais traz consequências negativas de curto e longo prazo, como queda no rendimento escolar, casos de violência e prejuízos nas habilidades cognitivas (aprendizagem verbal, memória e atenção) e socioemocionais (autocontrole, motivação e julgamento), que podem perdurar por toda a vida.
Além disso, especialistas observam que a exposição precoce aumenta a vulnerabilidade a situações de risco. Por exemplo, jovens que entram em contato com bebidas muito cedo podem enfrentar mais episódios de violência ou impulsividade ao longo da vida.
Outro ponto envolve a idade da primeira experimentação. Uma pesquisa feita pelo Ipec, realizada em 2022 a pedido do CISA com homens e mulheres acima dos 18 anos, mostrou que o primeiro contato dos entrevistados com a bebida alcoólica aconteceu, em geral, em reuniões familiares, e a iniciação no ambiente familiar ocorreu com consentimento ou até mesmo o incentivo de pais ou parentes.
“A prevenção do uso de álcool por crianças e adolescentes começa na família, entretanto é muito comum, por exemplo, festas de quinze anos ou em aniversário de adolescentes regados a álcool, que ocorrem, inclusive, com a permissão e a participação dos pais e outros adultos presente”, avalia Thibes.
Para a coordenadora do CISA, por desconhecimento ou desinformação, muitos pais acabam tomando atitudes que não contribuem para a prevenção. “Proteger crianças e adolescentes do uso precoce de álcool é uma
responsabilidade de toda a sociedade, que se inicia na família e se estende a outros atores – governo, escola, profissionais de saúde e comunidade – para a construção de um pacto coletivo que estabeleça tolerância zero ao consumo de álcool por menores.”
Resumo: Um vídeo do cantor Leonardo com o neto reacendeu discussões nas redes sociais sobre os perigos do álcool para crianças. Especialistas alertam que o cérebro infantil ainda está em desenvolvimento e pode sofrer impactos importantes com a exposição à bebida. Além disso, o consumo precoce aumenta o risco de dependência no futuro. Por isso, informação e prevenção continuam sendo fundamentais.
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