Março Azul-Marinho alerta para o câncer de intestino
Anamaria

Março Azul-Marinho traz a campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de intestino, traz um alerta importante: o tumor colorretal está entre os que mais crescem no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país registra cerca de 45 mil novos casos por ano, o que coloca a doença entre as mais comuns na população brasileira, considerando homens e mulheres.
O dado chama atenção não apenas pelo volume de diagnósticos, mas também por uma tendência observada por especialistas: o aumento de casos em pessoas mais jovens, muitas vezes antes dos 50 anos, faixa etária que tradicionalmente concentrava menor risco. E vale o alerta: as mudanças no estilo de vida das últimas décadas podem estar diretamente ligadas a esse crescimento.
Atualmente nós já observamos um aumento consistente dos casos de câncer colorretal, e não apenas entre idosos. Cada vez mais pacientes jovens chegam ao consultório com diagnóstico da doença. Isso está relacionado principalmente a fatores como alimentação rica em ultraprocessados, consumo excessivo de carnes processadas, sedentarismo, obesidade e baixa ingestão de fibras.
O câncer de intestino — também chamado de câncer colorretal — se desenvolve geralmente a partir de pólipos, pequenas lesões benignas que podem crescer na parede do intestino e, ao longo dos anos, evoluir para um tumor maligno.
A boa notícia é que a doença tem alto potencial de cura quando diagnosticada precocemente.
Em muitos casos, o câncer de intestino começa de forma silenciosa, sem sintomas claros. Por isso a prevenção é fundamental. A colonoscopia, por exemplo, permite identificar e remover pólipos antes mesmo que eles se transformem em câncer.
Entre os sinais que podem indicar alterações intestinais e merecem atenção médica estão:
- sangue nas fezes
- alteração persistente do hábito intestinal (diarreia ou constipação)
- dor abdominal frequente
- sensação de evacuação incompleta
- perda de peso sem causa aparente
- anemia
Por isso que pessoas a partir dos 45 anos iniciem a avaliação preventiva, especialmente aquelas com histórico familiar da doença.
Além do rastreamento, mudanças no estilo de vida também ajudam a reduzir o risco. Alimentação rica em fibras, prática regular de atividade física, controle do peso corporal e redução do consumo de alimentos ultraprocessados são estratégias importantes para proteger a saúde intestinal.
O câncer de intestino é uma doença que, em grande parte dos casos, pode ser evitada ou detectada precocemente. Informação, prevenção e diagnóstico oportuno são as principais ferramentas para mudar esse cenário.
Dr Rodrigo Barbosa, cirurgião digestivo sub-especializado em cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. Sou também CEO do Instituto Medicina em Foco
