Não é só cólica? Como saber se o choro e o refluxo do bebê são sinais de alergia ao leite (APLV)
Anamaria

Considerada a alergia alimentar mais comum na infância, a APLV pode surgir logo nos primeiros meses e costuma ser difícil de identificar justamente porque seus sintomas se confundem com situações bastante comuns nessa fase.
Segundo um posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria, as alergias alimentares afetam cerca de 8% a 10% da população e têm impacto importante na rotina e na qualidade de vida das famílias.
Por que o diagnóstico costuma demorar?
O principal desafio está no fato de que não existe um sintoma exclusivo da APLV. O diagnóstico depende da observação do conjunto de manifestações, da frequência com que aparecem e da evolução do quadro ao longo do tempo.
“Na prática, o que torna o diagnóstico desafiador é justamente essa semelhança com situações comuns do dia a dia do bebê. Muitas vezes, não existe um sinal único que indique a APLV, mas sim um conjunto de manifestações que precisam ser observadas ao longo do tempo”, explica Cristina Targa, gastroenterologista pediatra.
Além disso, a reação alérgica pode ocorrer de formas diferentes. Em alguns bebês, os sintomas aparecem logo após o consumo do leite ou de seus derivados. Em outros, surgem horas ou até dias depois, o que dificulta a associação direta com a alimentação.
“Existem casos em que os sintomas aparecem quase imediatamente após a ingestão de leite e derivados, mas também há situações em que eles surgem horas ou até dias depois. Essa variação dificulta a associação direta com o alimento e exige uma investigação mais cuidadosa”, destaca Cristina.
Sintomas que merecem atenção
Embora os sinais possam variar, alguns sintomas costumam chamar a atenção dos pediatras quando aparecem com frequência ou intensidade acima do esperado:
- Irritabilidade constante e choro persistente
- Cólicas intensas
- Vômitos ou refluxo frequente
- Diarreia ou constipação
- Presença de sangue nas fezes
- Dermatites e manchas na pele
- Congestão nasal associada a outros sintomas
- Dificuldade para ganhar peso
Esses sintomas, isoladamente, podem ter outras causas. O que geralmente levanta a suspeita é a combinação entre eles e sua persistência ao longo do tempo.
APLV pode acontecer mesmo com aleitamento materno exclusivo
Muitas mães se surpreendem ao descobrir que a APLV também pode ocorrer em bebês que mamam apenas no peito. Isso acontece porque pequenas quantidades das proteínas do leite consumidas pela mãe podem passar para o bebê por meio do leite materno. “Muitas famílias se surpreendem com essa possibilidade. Por isso, quando os sintomas persistem, é essencial avaliar todo o contexto alimentar, inclusive o da mãe, sempre com orientação profissional”, explica Cristina.

Isso, no entanto, não significa que a amamentação deva ser interrompida. Na maioria dos casos, a mãe pode continuar amamentando com os ajustes necessários na alimentação, sempre com acompanhamento médico e nutricional.
Como o diagnóstico é confirmado
Ao contrário do que muitos imaginam, a APLV não é confirmada por um único exame laboratorial. O diagnóstico costuma ser feito por meio da avaliação clínica e da chamada dieta de exclusão, em que a proteína do leite é retirada da alimentação por um período determinado.
Depois, o alimento é reintroduzido sob orientação médica para observar se os sintomas retornam. “Os exames podem ajudar, mas eles não substituem a avaliação clínica. O que realmente orienta o diagnóstico é a dieta de exclusão por algumas semanas, seguido da reexposição desse alérgeno ao bebê, o que permite confirmar ou descartar o diagnóstico”, complementa a médica.
O impacto na rotina da família
Até que o diagnóstico seja estabelecido, muitas famílias enfrentam semanas ou meses de dúvidas, noites mal dormidas e preocupação constante com o bem-estar do bebê. Sem o tratamento adequado, os sintomas podem comprometer o conforto da criança, dificultar o ganho de peso e gerar insegurança nos pais.
Resumo:
A alergia à proteína do leite de vaca pode causar cólicas, refluxo, irritabilidade e alterações nas fezes, sintomas que muitas vezes se confundem com desconfortos comuns da infância. Como não existe um exame único para confirmar o quadro, o diagnóstico depende de observação clínica e acompanhamento médico.
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