O que é o colangiocarcinoma, câncer raro que atingiu filha de Amado Batista
Anamaria

A filha de Amado Batista, Lorena Alves Batista, 46 anos, morreu na última sexta-feira (13), após enfrentar um câncer no fígado nos últimos meses. O cantor confirmou a notícia por meio de uma mensagem nas redes sociais, na qual compartilhou a dor do luto e prestou uma homenagem à herdeira.
O irmão de Lorena, Bruno Henrique Batista, informou ao g1 que ela enfrentava um tipo de câncer raro e agressivo que se desenvolve nas vias biliares, conhecido como colangiocarcinoma. Ela estava internada no Hospital São Francisco de Assis, em Goiânia.
Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e cirurgião oncológico, explica que, diferentemente de tumores mais comuns do sistema digestivo, como os de cólon ou estômago, o colangiocarcinoma afeta especificamente os ductos biliares, que fazem parte das vias biliares dentro do fígado ou fora dele.
“Trata-se de um tumor raro, que representa cerca de 3% dos tumores do sistema digestivo. Justamente por essa raridade, o estudo da doença e o desenvolvimento de novos tratamentos são mais desafiadores, embora os avanços recentes tenham trazido benefícios importantes, principalmente com cirurgia e terapias medicamentosas”, comenta o especialista.
Segundo ele, a agressividade desse tipo de câncer está ligada a três fatores: localização, resistência biológica e diagnóstico tardio. Lucas explica que, uma vez que os ductos biliares passam por dentro do fígado, próximos ao pâncreas e a grandes vasos sanguíneos, o tumor pode invadir estruturas vitais com mais facilidade.
“Outro fator é a resistência biológica. As células desse tumor costumam apresentar resistência a muitas quimioterapias convencionais, o que limita algumas possibilidades de tratamento”, aponta.
Já o diagnóstico tardio ocorre, de acordo com o profissional, porque o tumor é silencioso e difícil de detectar precocemente. “Quando os sintomas aparecem, muitas vezes a doença já está em estágios mais avançados”, afirma.
Quais são os sinais do colangiocarcinoma?
Os sintomas passam a surgir quando o tumor cresce o suficiente para obstruir o fluxo da bile. Nesses casos, pode surgir icterícia, o amarelamento dos olhos e da pele, além de urina escura, fezes mais claras, coceira na pele e dor abdominal.
Há chance de cura, especialmente quando o diagnóstico é feito de forma precoce. “Quando o tumor é identificado ainda pequeno e em uma localização favorável, a ressecção cirúrgica costuma ser o tratamento ideal com intenção curativa”, diz o médico.
Em alguns casos selecionados, o transplante de fígado também pode ser uma opção, seja com doador vivo ou, em determinados centros, com doador falecido. No entanto, isso depende de critérios específicos e da fase da doença.
Já em casos mais avançados, outras abordagens podem ser associadas, como radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e tratamentos ablativos, dentro de um acompanhamento multidisciplinar.
Veja post de Amado Batista para filha:
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