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'Seu irmão fazia melhor': comparar crianças pode deixar marcas emocionais
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'Seu irmão fazia melhor': comparar crianças pode deixar marcas emocionais

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Anamaria
07/03/2026 21h00
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Durante uma reunião de família, alguém solta: “olha como o primo já escreve o nome” ou “seu irmão fazia isso com a sua idade”. Muitas vezes, a intenção nem é cobrar, é estimular. Mas, para quem está crescendo, essas frases podem soar bem mais pesadas do que parecem.

A comparação acompanha muitas famílias no dia a dia, atravessa escolas, reuniões e até momentos de brincadeira. O problema é que, quando vira regra, ela deixa de motivar e passa a interferir na forma como a criança se vê, se sente e se posiciona no mundo.

Comparar pode machucar mais do que ajudar

Comparações frequentes não passam despercebidas pelo universo emocional infantil. Segundo André Ceballos, neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil, esse tipo de estímulo pode provocar impactos duradouros. “Quando a criança cresce sendo comparada, ouvindo frases como ‘seu primo já sabe ler’ ou ‘na sua idade seu irmão fazia melhor’, ela aprende que seu valor depende de estar à frente de alguém”, diz o médico em entrevista à AnaMaria.

Com o tempo, esse aprendizado silencioso pode gerar insegurança, medo de errar, perfeccionismo ou necessidade constante de aprovação. E os efeitos não ficam restritos à infância. “Na adolescência e na vida adulta, esses padrões costumam aparecer em relações afetivas, no trabalho e até na dificuldade de lidar com frustrações”, explica Ceballos.

Quem compara também importa

Nem toda comparação pesa da mesma forma – tudo depende de quem a faz e do contexto em que ela acontece. “A comparação vinda dos pais tende a ser a mais profunda, porque eles são a principal referência emocional da criança”, detalha o especialista. Ou seja, quando essa comparação acontece dentro de casa, a criança pode sentir que precisa “merecer” amor ou aprovação.

Comparações feitas por professores ou familiares também machucam, especialmente quando são públicas, como em sala de aula ou em reuniões familiares, por exemplo. A diferença é que um ambiente familiar acolhedor pode funcionar como um amortecedor emocional. “Quando a criança encontra acolhimento em casa, esses impactos costumam ser menores”, diz o neurocirurgião.

Nem todas as crianças sentem igual

Cada criança reage de um jeito. Algumas parecem seguir em frente, enquanto outras absorvem o comentário como uma confirmação de inseguranças que já existiam. “Crianças mais ansiosas, sensíveis ou inseguras tendem a interpretar a comparação como uma confirmação de que não são boas o suficiente”, afirma o médico.

Nesses casos, até observações simples podem ter efeitos mais profundos. “Um comentário simples pode gerar bloqueio, vergonha e até recusa em tentar novamente”, explica. Esse movimento afeta não só a autoestima, mas também o aprendizado e a disposição para enfrentar desafios novos.

Irmãos não são versões uns dos outros

Em famílias com mais de um filho, a comparação costuma ser praticamente automática, principalmente quando as idades são próximas. Ainda assim, ela raramente é justa. Nesses casos, é importante entender que cada criança tem seu próprio ritmo. Comparar irmãos é comum, mas nunca uma boa abordagem, mesmo que isso seja feito com boas intenções. 

Trocar a forma de falar já faz diferença. “Em vez de frases como ‘seu irmão não dava trabalho’, vale trocar por ‘cada um aprende de um jeito’”, orienta. Observar o esforço individual, evitar rótulos e respeitar diferenças de personalidade e o ritmo de cada criança ajuda a construir um ambiente mais seguro para todos. Lembre-se sempre: desenvolvimento não é corrida!

Como resgatar a autoestima dos pequenos

Mesmo quando a comparação já deixou marcas, ainda há espaço para reconstrução. É possível reverter esse impacto. Valorizar o esforço, permitir erros sem punição e oferecer escuta emocional são caminhos importantes nesse processo.

Em algumas situações, o apoio profissional também pode ser necessário. “O acompanhamento psicológico pode ajudar a reorganizar essas emoções e fortalecer a autoestima”, diz Ceballos.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1508, de 13 de fevereiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader

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Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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