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Sinais de Alzheimer podem aparecer antes da perda de memória evidente
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Sinais de Alzheimer podem aparecer antes da perda de memória evidente

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Anamaria
27/06/2026 18h00
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Quem nunca entrou em um cômodo e esqueceu o que foi fazer ali? Ou demorou alguns segundos para lembrar o nome de algum conhecido? Pequenos esquecimentos fazem parte da vida e tendem a aparecer com mais frequência com o envelhecimento. O problema é quando esses sinais começam a ultrapassar o limite do “normal” e passam a afetar a autonomia, a rotina e até as relações familiares.

O Alzheimer, uma das principais causas de demência no mundo, ainda é cercado por medos e, principalmente, dúvidas. E um dos maiores desafios continua sendo perceber os primeiros sinais sem tratar tudo apenas como “coisa da idade”. Isso porque, embora ainda não exista cura, o diagnóstico precoce pode ajudar a retardar a progressão dos sintomas e preservar a qualidade de vida por mais tempo. 

Coisa da idade?

Segundo o neurocirurgião Orlando Maia, membro titular da World Federation of Neuroradiology e da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, esquecimentos leves podem acontecer com o envelhecimento normal. O alerta aparece quando a memória começa a interferir no dia a dia. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Repetir as mesmas perguntas várias vezes;
  • Esquecer compromissos importantes com frequência; 
  • Se perder em lugares conhecidos;
  • Ter dificuldade para lidar com tarefas simples; 
  • Mudanças de comportamento e de julgamento.

Outro ponto que costuma gerar confusão é a diferença entre Alzheimer e demência. Demência é um termo geral usado para descrever a perda progressiva de funções cognitivas, como memória, linguagem, raciocínio e autonomia. Já o Alzheimer é uma doença específica. Ou seja: nem toda demência é Alzheimer, mas o Alzheimer pode causar um quadro demencial.  

O impacto na rotina e nas relações

O Alzheimer não afeta apenas a memória. Aos poucos, a doença pode mudar comportamentos, reduzir a iniciativa e comprometer atividades simples da rotina. Em muitos casos, os familiares percebem primeiro pequenas mudanças emocionais, desorganização e dificuldade de comunicação.

A apatia, por exemplo, costuma aparecer cedo e pode ser confundida com desânimo ou tristeza. Já a dificuldade para encontrar palavras ou a repetição frequente de assuntos pode gerar situações desconfortáveis dentro da própria família.

O isolamento social pode agravar ainda mais o cenário. “Muitas vezes é a convivência diária que permite notar mudanças sutis de memória e comportamento”, afirma o neurocirurgião.

Os efeitos do estilo de vida na saúde neurológica

Nos últimos anos, a ciência passou a entender melhor como os hábitos cotidianos influenciam a saúde cerebral. Embora não exista uma fórmula capaz de impedir o Alzheimer, alguns cuidados ajudam a reduzir fatores de risco e proteger o cérebro ao longo da vida.

O que ajuda a proteger a saúde cerebral?

  • Atividade física regular;
  • Controle da pressão, diabetes e colesterol;
  • Sono adequado;
  • Alimentação equilibrada;
  • Estímulo cognitivo;
  • Interação social;
  • Tratamento da perda auditiva;
  • Evitar cigarro e excesso de álcool.

Hoje já existe evidência consistente de que hábitos saudáveis ajudam a proteger o cérebro ao longo dos anos. “O sono, por exemplo, participa de mecanismos de limpeza metabólica cerebral. Alterações crônicas do sono podem estar associadas à piora cognitiva ao longo do tempo”, detalha o especialista. 

Sedentarismo, alimentação pouco equilibrada e isolamento social também parecem aumentar a vulnerabilidade cerebral, especialmente quando associados a doenças vasculares e inflamação crônica.

O que mudou no tratamento da doença?

Apesar de ainda não existir cura definitiva, os tratamentos para Alzheimer evoluíram bastante, principalmente quando o diagnóstico acontece nas fases iniciais.

Hoje já existem medicamentos voltados para o controle de sintomas cognitivos e comportamentais, além de estratégias multidisciplinares que ajudam na preservação da autonomia e da funcionalidade. Também avançaram os exames capazes de identificar alterações cerebrais mais precocemente.

“O que se busca hoje é retardar a progressão e preservar a autonomia por mais tempo, melhorando a qualidade de vida. E existe um ponto cada vez mais claro na neurologia: quanto mais tarde a investigação começa, menor tende a ser a janela de intervenção”, diz Orlando.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1524, de 5 de junho de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader

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