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Consumir muito álcool em pouco tempo triplica os riscos para o fígado, diz pesquisa
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Consumir muito álcool em pouco tempo triplica os riscos para o fígado, diz pesquisa

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Bons Fluidos
14/04/2026 00h30
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Um estudo conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina Keck, da Universidade do Sul da Califórnia, revelou que beber em excesso em apenas um único dia, mesmo que isso aconteça só uma vez por mês, já pode aumentar de forma importante o risco de lesões no fígado.

Os achados foram publicados na revista científica Clinical Gastroenterology and Hepatology e reforçam um ponto que nem sempre recebe a devida atenção: não é só a quantidade total de álcool consumida que importa, mas também a forma como ele é ingerido.

O perigo do consumo concentrado

No estudo, os cientistas avaliaram o chamado consumo episódico excessivo de álcool, conhecido em inglês como binge drinking. Esse padrão é definido como a ingestão de quatro ou mais doses em um único dia para mulheres e cinco ou mais para homens.

Embora muitas pessoas associem esse comportamento a situações esporádicas, ele pode ter impacto relevante sobre o organismo – especialmente sobre o fígado. Entre os participantes com doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, condição popularmente conhecida como gordura no fígado ligada a alterações como obesidade, diabetes ou colesterol alto, o risco foi ainda mais evidente.

Os pesquisadores observaram que quem mantinha esse padrão pelo menos uma vez por mês apresentava um risco três vezes maior de desenvolver fibrose hepática avançada em comparação com pessoas que consumiam a mesma quantidade total de álcool, mas de forma distribuída ao longo do tempo.

Quando o fígado começa a sofrer

A fibrose hepática é um processo de cicatrização do fígado. Em vez de se regenerar plenamente após agressões repetidas, o órgão começa a acumular tecido cicatricial, o que pode comprometer seu funcionamento.

Com o tempo, esse quadro pode evoluir para situações mais graves, como cirrose, insuficiência hepática e aumento do risco de câncer de fígado. Ou seja: o problema não está apenas no exagero pontual em si, mas no efeito inflamatório e cumulativo que ele pode provocar.

Segundo os especialistas, beber grandes quantidades de álcool de uma vez sobrecarrega o fígado, eleva a inflamação e favorece o aparecimento dessas lesões.

Nem sempre há sintomas

Além disso, embora a condição seja frequentemente associada ao excesso de peso, ela não se limita a esse perfil. Pessoas com alterações metabólicas, como pressão alta, diabetes tipo 2 e colesterol elevado, também podem desenvolver o quadro. Em alguns casos, até pessoas magras podem apresentar a doença.

Jovens e homens aparecem com mais frequência

A pesquisa também identificou um perfil mais propenso ao consumo excessivo episódico: homens e adultos mais jovens relataram esse comportamento com maior frequência. Outro dado importante é que o risco foi progressivo. Quanto maior o número de doses consumidas em um mesmo dia, maior a tendência de danos ao fígado. Ou seja: não se trata de um limite rígido a partir do qual o problema surge de repente. Existe uma relação de dose e impacto.

O que o estudo muda na forma de olhar para o álcool

Tradicionalmente, o risco do álcool costuma ser calculado a partir da média de consumo semanal ou mensal. Mas os novos dados mostram que esse raciocínio pode não capturar toda a complexidade do problema.

“Este estudo é um grande alerta porque, tradicionalmente, os médicos tendem a considerar a quantidade total de álcool consumida, e não a forma como ele é consumido, ao determinar o risco para o fígado. Nossa pesquisa sugere que o público precisa estar muito mais ciente do perigo do consumo excessivo ocasional de álcool e deve evitá-lo, mesmo que beba moderadamente no restante do tempo”, diz o artigo publicado. A fala chama atenção para um ponto importante: às vezes, o risco está menos no “quanto” e mais no “como”.

A pesquisa reforça algo que muitas vezes passa despercebido na rotina: hábitos que parecem ocasionais também podem produzir efeitos importantes quando se repetem ao longo do tempo. Mais do que olhar apenas para a frequência, talvez seja preciso observar com mais honestidade a intensidade. Porque, quando se trata do fígado, exagerar “só de vez em quando” talvez não seja tão inofensivo assim.

Leia também: Cada litro a menos de álcool ao ano reduz mortalidade por câncer”

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