Estratégias chegam ao Brasil para proteger bebês da bronquiolite causada pelo VSR
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Todos os anos, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) causa mais de 3,6 milhões de hospitalizações e aproximadamente 100 mil mortes em crianças menores de 5 anos no mundo. Além disso, cerca de metade desses óbitos ocorrem em bebês com menos de 6 meses de idade, segundo a Organização Mundial da Saúde (2025). A maioria dessas mortes (97%) ocorre em países de baixa e média renda, onde há acesso mais limitado a cuidados médicos de suporte.
No Brasil, o VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40 % dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos em períodos sazonais (outono-inverno). Em 2025, de acordo com dados do Ministério da Saúde, foram registrados 43.946 casos de SRAG por VSR, com 36.218 hospitalizações em menores de dois anos, representando 82,5 % dos registros de SRAG por VSR em crianças pequenas.
O que é a bronquiolite?
Muito comum em bebês menores de 2 anos, a bronquiolite é a infecção viral das pequenas vias aéreas (bronquíolos). É causada principalmente pelo VSR, com maior circulação entre março e junho no Brasil. Os sintomas se iniciam como um resfriado e costumam evoluir rapidamente entre o primeiro e terceiro dia, com piora ao redor do quinto dia de doença.
Os sinais de gravidade incluem respiração acelerada, dificuldade para respirar, gemência, esforço abdominal e dificuldade para mamar. Em lactentes menores de 3 meses, pode haver episódios de apneia. “Cerca de metade das mortes por bronquiolite ocorre em bebês com menos de 6 meses, e é justamente essa faixa etária que mais se beneficia de estratégias preventivas,” afirma a pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn.
Como prevenir bebês contra a doença?
Atualmente, o Brasil conta agora com duas formas de prevenção que atuam de maneira complementar no combate ao VSR. A primeira é a vacina para gestantes, chamada Abrysvo, aplicada entre a 32ª e a 36ª semana de gestação. Essa vacina está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde dezembro de 2025. Estudos clínicos mostram 81,8 % de eficácia na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos três primeiros meses de vida do bebê.
A segunda é o anticorpo monoclonal para bebês, chamado nirsevimab. Aplica-se em dose única, oferecendo proteção imediata. Ele está disponível pelo SUS para recém-nascidos prematuros com até 36 semanas e 6 dias de idade e para crianças de até 23 meses com comorbidades específicas, incluindo cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, Síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias das vias aéreas. Na rede particular, o anticorpo pode chegar a qualquer bebê, especialmente quando a mãe não recebeu a vacinação materna, garantindo uma proteção adicional.
Estudos realizados demonstram que o nirsevimab reduz significativamente o número de internações hospitalares. Dados oficiais do CDC de novembro de 2025 mostram que a eficácia do anticorpo é de 80% na prevenção de internação em UTI pediátrica, 83 % na prevenção de falência respiratória e 87,1 % na redução da necessidade de suporte ventilatório, como ventilação mecânica ou CPAP. “Essas duas estratégias complementares devem mudar o cenário da próxima sazonalidade do VSR no Brasil, garantindo proteção ampla e imediata para os bebês mais vulneráveis,” afirma a especialista.
A importância da proteção
Dra. Anna reforça que as ofertas pelo SUS são fundamentais, pois garantem acesso universal às estratégias de prevenção. Isso ajuda a reduzir hospitalizações graves e protege os bebês em suas fases mais vulneráveis. “Gestantes e famílias de bebês pequenos devem se informar e aproveitar essas estratégias de proteção, entrando no outono-inverno com mais segurança e reduzindo significativamente os riscos de bronquiolite grave”, complementa.
Sobre a especialista
Dra. Anna Dominguez (CRM 150.572 | RQE 106869 / 1068691) é pediatra formada pela Universidade de São Paulo (USP). Possui especialização em Terapia Intensiva Pediátrica, Síndrome de Down, Neurociência e Desenvolvimento Infantil. Atualmente integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, além de atuar nos hospitais Sírio-Libanês e Vila Nova Star.
*Fonte: Manreza Comunicação
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