Famosa fruta do Cerrado traz benefícios à saúde e é considerada patrimônio cultural; conheça
Bons Fluidos

Quando pensamos em frutas brasileiras, logo vêm à mente nomes já conhecidos como açaí, jaca ou graviola. Mas o Cerrado, bioma que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, guarda tesouros pouco explorados. Dentre eles está o marolo, também chamado de araticum, pinha-do-cerrado, bruto ou cascudo.
Muito além do sabor exótico, essa fruta carrega identidade, memória afetiva e até reconhecimento cultural em algumas regiões. Rica em nutrientes, símbolo de resistência e orgulho regional, o marolo é uma prova viva de como a natureza brasileira é capaz de unir saúde, tradição e preservação ambiental.
Um fruto com raízes profundas
O nome “marolo” tem origem no guarani e significa “fruta mole”. Parente próximo da graviola e da pinha, ele foi rejeitado em períodos passados. Durante a expansão do café, arrancaram muitas árvores e o consumo caiu no esquecimento.
Foi somente nos anos 1980 que o fruto voltou a ganhar espaço, impulsionado pelo resgate do orgulho regional. Em Paraguaçu, no sul de Minas Gerais, o marolo alcançou o posto de patrimônio cultural: está no brasão da cidade, dá nome a uma escola de samba e ainda recebe uma tradicional festa anual, a Festa do Marolo.
Características únicas e sabor marcante
Externamente, o marolo apresenta casca coberta por pequenos pelos marrons-avermelhados, que desaparecem quando o fruto amadurece. Suas flores são grandes, carnosas e se abrem à noite, chamando atenção pelo visual exótico. A polpa, de tom amarelo-claro, é macia e encorpada, com aroma adocicado intenso e sabor inconfundível. O gosto lembra frutas tropicais doces, mas com um leve toque terroso que pode surpreender à primeira mordida – e conquistar de vez quem se permite experimentar.
Mais do que parte da cultura regional, o marolo também é aliado da saúde. Ele é rico em vitamina C, antioxidantes e fibras, fortalecendo a imunidade, combatendo radicais livres e ajudando no bom funcionamento intestinal. Estudos ainda apontam para compostos com potencial anti-inflamatório. Consumir o marolo também é um ato de preservação: por ser uma fruta nativa, ele auxilia na manutenção do Cerrado e fortalece a agricultura familiar, garantindo que tradições, biodiversidade e economia local caminhem juntas.
Orgulho e identidade
Para além de seus benefícios nutricionais e ambientais, o marolo é sinônimo de pertencimento. Em Paraguaçu, a fruta ganhou lugar no cotidiano, na memória coletiva e na cultura popular. O que antes era motivo de vergonha transformou-se em orgulho, unindo gerações em torno da festa, das receitas e das histórias ligadas ao fruto.
Assim, o marolo é muito mais do que um alimento: é símbolo de resistência cultural, riqueza natural e afeto. Um convite para que todos nós valorizemos as riquezas invisíveis do Brasil e aprendamos a respeitar os frutos que a terra nos oferece.