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Inimigo silencioso: Falta de dinheiro envelhece o coração mais rápido que o cigarro
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Inimigo silencioso: Falta de dinheiro envelhece o coração mais rápido que o cigarro

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Bons Fluidos
02/04/2026 02h47
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Viver com a corda no pescoço financeiramente pode ser mais perigoso para o coração do que o hábito de fumar. Um estudo revolucionário da Mayo Clinic, realizado com mais de 280 mil pessoas, revelou que a falta de dinheiro e a insegurança alimentar aceleram o envelhecimento biológico do sistema cardiovascular. Os dados mostram que esses fatores sociais superam até riscos tradicionais como peso elevado e hipertensão.

O peso do bolso no eletrocardiograma

Os pesquisadores utilizaram um algoritmo de inteligência artificial para analisar eletrocardiogramas e estimar a “idade real” do coração. O resultado foi alarmante: pessoas com grandes dificuldades financeiras apresentaram um risco de morte 60% maior em dois anos. Para efeito de comparação, o tabagismo foi associado a um aumento de 27%, menos da metade do impacto causado pelo estresse econômico.

De acordo com o médico Carlos Alberto Machado, assessor da Socesp, disse ao O Globo, o estudo ajuda a identificar problemas de forma precoce em populações vulneráveis. “Isso chama atenção e ajuda a melhorar a nossa estratificação de risco dos pacientes”, afirma. O impacto é tão profundo que superar um infarto anterior foi associado a um aumento de risco de apenas 10%, evidenciando o peso devastador da instabilidade social.

Além dos fatores de risco tradicionais

A cardiologista Sarah Fagundes Grobe, da SBC, reforça que a visão sobre o coração está mudando. “Durante muitas décadas, aprendemos que o coração envelhece por causa da pressão alta e do diabetes. O estudo demonstra que condições sociais podem influenciar tanto quanto, ou até mais, que doenças tradicionais”, explica. O estresse contínuo de não saber se conseguirá pagar as contas ou comer adequadamente gera um desgaste físico mensurável.

Para especialistas brasileiros, esses achados são urgentes. Aurora Issa, diretora do Instituto Nacional de Cardiologia, destaca que o acesso a alimentos saudáveis e exercícios é um privilégio econômico. “Dados objetivos ajudam a corroborar a importância de políticas públicas para a saúde da população”, pontua. No Brasil, onde as doenças circulatórias são a principal causa de morte, olhar para o bolso do paciente pode ser tão vital quanto medir sua pressão arterial.

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