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Interromper uso de medicamentos para emagrecimento leva à recuperação do peso em até dois anos, diz estudo
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Interromper uso de medicamentos para emagrecimento leva à recuperação do peso em até dois anos, diz estudo

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Bons Fluidos
12/03/2026 14h00
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Nos últimos anos, medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, como Ozempic e Mounjaro, ganharam popularidade. Assim, passaram a ser vistos por muitas pessoas como uma solução rápida para a perda de peso. No entanto, especialistas alertam que o uso dessas canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico ou a interrupção precoce do tratamento pode trazer consequências importantes.

Uma análise publicada recentemente no The British Medical Journal (BMJ) indica que a suspensão desses medicamentos costuma seguir de uma recuperação gradual do peso perdido. Segundo os pesquisadores, após parar o tratamento, o ganho médio pode chegar a cerca de 0,4 kg por mês. Isso pode levar ao retorno ao peso inicial em menos de dois anos.

“Todas as vezes que retiramos uma medicação para obesidade, a tendência do organismo é reganhar peso, já que o metabolismo é lento e a genética é soberana”, explica a endocrinologista Dra. Deborah Beranger, especialista em Endocrinologia e Metabologia.

O que mostrou a pesquisa

Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram 37 estudos clínicos e observacionais que compararam o uso de medicamentos para perda de peso com intervenções não medicamentosas ou placebo. Ao todo, os dados envolveram 9.341 participantes. O período médio de uso das medicações foi de cerca de 39 semanas, com acompanhamento por aproximadamente 32 semanas após a interrupção do tratamento.

Os resultados indicaram que, depois de parar a medicação, os participantes recuperaram peso de forma progressiva, voltando ao peso inicial em aproximadamente um ano e sete meses. Além disso, benefícios metabólicos conquistados durante o tratamento também tenderam a desaparecer.

“Entre os principais riscos cardiovasculares e metabólicos estão o aumento do colesterol, da pressão arterial e do risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. Quando o peso volta a aumentar, esses marcadores tendem a acompanhar esse movimento, anulando os benefícios conquistados durante o tratamento”, explica a Dra. Patricia Magier, ginecologista com especialização em Medicina Integrativa e Funcional.

Por que o peso pode voltar

Outro ponto observado no estudo é que o reganho de peso após interromper medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 pode ocorrer de forma mais rápida do que quando a perda de peso acontece apenas com mudanças de estilo de vida.

Segundo os pesquisadores, o ganho médio mensal foi cerca de 0,3 kg maior em comparação com pessoas que haviam emagrecido apenas com dieta e exercício. Para especialistas, isso reforça a ideia de que a obesidade é uma condição crônica e multifatorial – e não apenas como um problema que pode resolver-se com um único tratamento.

“O sucesso no controle do peso vai além de qualquer medicamento isolado e a abordagem personalizada e multidisciplinar é essencial para garantir resultados satisfatórios e duradouros e evitar o efeito rebote”, destaca a médica.

O papel das mudanças no estilo de vida

Apesar das limitações da pesquisa – como o número reduzido de estudos envolvendo os medicamentos mais recentes e o curto período de acompanhamento após a interrupção – os dados servem como um alerta sobre o uso dessas medicações de forma isolada ou por períodos curtos.

De acordo com especialistas, medicamentos análogos de GLP-1 podem ser importantes aliados no tratamento da obesidade quando existe indicação médica. No entanto, eles devem fazer parte de um plano de cuidado mais amplo.Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e sono de qualidade são pilares inegociáveis para a manutenção do peso perdido”, afirma a Dra. Patricia Magier.

Como evitar o efeito rebote

Quando existe a necessidade de interromper o medicamento, a recomendação é que o processo seja gradual e acompanhado por profissionais de saúde. A retirada abrupta pode aumentar as chances de recuperação rápida do peso. Além disso, mudanças consistentes no estilo de vida são fundamentais para manter os resultados.

“Para evitar o reganho de peso, é fundamental trabalhar a reeducação alimentar, manter atividade física regular e, em alguns casos, adotar estratégias de manutenção com acompanhamento médico e nutricional”, explica a Dra. Marcella Garcez, médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Durante a fase de redução da medicação, ajustes na alimentação também podem ajudar a manter a sensação de saciedade. “É recomendável o aumento da ingestão proteica, que pode compensar a queda na saciedade induzida pelo GLP-1. Além disso, uma dieta rica em fibras mantém o efeito positivo do GLP-1 na microbiota intestinal”, orienta a Dra. Patricia.

Exercícios e acompanhamento fazem diferença

A prática regular de atividade física também tem papel essencial na manutenção do peso. Exercícios de resistência ajudam a preservar a massa muscular e manter o metabolismo ativo. Enquanto isso, atividades aeróbicas contribuem para melhorar o condicionamento cardiovascular e aumentar o gasto energético.

Outro fator importante é o monitoramento contínuo do processo de emagrecimento. “Vimos esse aumento das ferramentas digitais de saúde na última década e elas fornecem uma ótima maneira para as pessoas acessarem intervenções para melhorar sua saúde”, explica a Dra. Marcella.

Além disso, terapias cognitivas comportamentais podem ajudar na relação com a comida, no controle do apetite e na consolidação de novos hábitos. No fim das contas, especialistas reforçam que o tratamento da obesidade exige um olhar amplo. Mais do que um medicamento específico, o que realmente sustenta resultados duradouros é a combinação entre acompanhamento profissional, mudanças de hábitos e cuidado contínuo com a saúde.

Sobre as especialistas

Dra. Patricia Magier (CRM-RJ 54925-6 | RQE 34538) é ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica pelo IASERJ e pós-graduação pela Universidade do Rio de Janeiro – UNIRIO. Possui título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia – TEGO, além de especialização em Medicina Integrativa e Funcional. 

Dra. Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. É Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do Conselho Federal de Medicina (CFM), Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Dra. Deborah Beranger é endocrinologista, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ) e pós-graduação em Terapia Intensiva na Faculdade Redentor/AMIB.

*Fonte: Holding Comunicação

Leia também: 1 a cada 5 crianças e adolescentes têm sobrepeso e obesidade”

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