Menopausa: tudo o que seu cérebro precisa saber sobre esta fase da vida
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A transição para a menopausa, que geralmente tem início a partir dos 45 anos, é um marco biológico que vai muito além da interrupção do ciclo reprodutivo. Um volume crescente de evidências aponta que o estrogênio — o principal hormônio sexual feminino — exerce um papel de “maestro” no cérebro, influenciando áreas ligadas ao humor, ao sono e à cognição. Quando seus níveis começam a oscilar no período conhecido como climatério, muitas mulheres experimentam uma vulnerabilidade emocional inédita, marcada por irritabilidade, ansiedade e uma sensação de “névoa mental”.
Dados do Ministério da Saúde revelam um cenário preocupante: o diagnóstico de depressão entre mulheres no Brasil saltou de 14,8% para 19,7% nos últimos quatro anos. Embora diversos fatores sociais contribuam para esse aumento, especialistas alertam que a instabilidade hormonal do climatério é um gatilho biológico que não pode ser ignorado.
Estrogênio: regulador da menopausa
A endocrinologista Karen de Marca, vice-presidente da SBEM, explica ao g1 que o estrogênio atua diretamente na produção de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina. São substâncias essenciais para a regulação do bem-estar. “Com a queda desse hormônio, essas substâncias sofrem alterações que favorecem quadros de instabilidade emocional”, afirma.
Além do humor, regiões sensíveis à memória, como o hipocampo, também sofrem o impacto da redução hormonal. Isso explica as queixas frequentes de lapsos de memória, dificuldade de foco e fadiga mental, sintomas que muitas vezes são confundidos com o envelhecimento natural, mas que têm raízes profundas na química cerebral.
Depressão ou instabilidade hormonal?
Uma das maiores dúvidas nos consultórios é saber se o que a mulher sente é depressão clínica ou um sintoma da perimenopausa. No entanto, é preciso fazer uma distinção importante: as alterações hormonais costumam causar sintomas mais leves. São diretamente ligados a outros sinais físicos, como os fogachos (ondas de calor) e a insônia. Já a depressão tende a ser persistente, profunda e incapacitante.
Porém, segundo especialistas, as duas condições podem coexistir. Dessa forma, mulheres com histórico prévio de depressão ou aquelas que passaram por menopausa cirúrgica (retirada dos ovários) apresentam um risco elevado de agravamento dos sintomas. Nesses casos, a terapia hormonal pode atuar como uma coadjuvante poderosa ao tratamento psiquiátrico tradicional. Ajuda a estabilizar a base biológica enquanto a terapia e os antidepressivos tratam a mente.
Menopausa e Alzheimer
Além disso, estudo publicado na revista Psychological Medicine sugere que a menopausa está associada a mudanças no cérebro semelhantes às observadas no Alzheimer. Isso por causa da perda de massa cinzenta em áreas ligadas à memória e às emoções. Por fim, as conclusões se baseiam em dados de quase 125 mil mulheres. destas, 11 mil realizaram exames de ressonância magnética do cérebro.
