Príncipe Philip sofreu com câncer de pâncreas por 8 anos antes de falecer; entenda a doença
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A revelação de que o príncipe Philip teria convivido por cerca de oito anos com um câncer de pâncreas inoperável chama atenção não apenas pela história pessoal, mas também por trazer luz a um tipo de câncer considerado um dos mais agressivos e difíceis de detectar.
A informação foi divulgada na biografia “Queen Elizabeth II: A Personal History”, do historiador Hugo Vickers. Segundo o livro, o diagnóstico teria sido feito em 2013, após médicos identificarem uma “sombra” no pâncreas. O fato de o príncipe ter vivido por tanto tempo com a doença é visto como algo incomum – justamente porque esse tipo de tumor costuma evoluir de forma silenciosa e rápida.
Por que o câncer de pâncreas é tão desafiador?
Apesar de representar uma parcela menor dos diagnósticos, o câncer de pâncreas está entre os que mais causam mortes. No Brasil, por exemplo, responde por cerca de 5% dos óbitos por tumores, mesmo correspondendo a apenas 1% dos casos. Isso acontece porque, na maioria das vezes, a doença não apresenta sintomas claros nas fases iniciais. Quando os sinais surgem, o quadro já pode estar mais avançado.
“O câncer de pâncreas é um tipo de neoplasia que acontece, como o próprio nome diz, no pâncreas, quando há uma replicação celular desordenada, gerando um tumor que pode se disseminar, se espalhar pelo corpo, o que é chamado de metástase”, explica o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello.
Sintomas que merecem atenção
Embora o início seja silencioso, alguns sinais podem aparecer com o avanço da doença. Entre os mais comuns estão dor abdominal persistente, perda de peso sem causa aparente, náuseas e vômitos. Outro sintoma característico é a icterícia – quando a pele e os olhos ficam amarelados. “Todos esses sinais podem sugerir a presença de um câncer de pâncreas”, alerta o especialista.
Fatores de risco e prevenção
Alguns fatores aumentam o risco de desenvolvimento da doença. Entre eles estão o tabagismo, a obesidade e quadros de pancreatite crônica. Por isso, o acompanhamento médico regular é especialmente importante para quem faz parte desses grupos. “É uma doença difícil de ser diagnosticada na fase precoce, por isso, o rastreio regular é fundamental, principalmente para pacientes com fatores de risco”, destaca o médico.
Como acontece o diagnóstico?
A confirmação, no entanto, depende de exames mais específicos. “Mas o diagnóstico se confirma mesmo por meio da biópsia feita através de uma exame chamado CPRE, ou colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), que combina endoscopia e radiografia”, explica o oncologista.
Tratamento e prognóstico
Após o diagnóstico, o tratamento define-se de acordo com o estágio da doença. Quando identificado precocemente e considerado operável, a cirurgia pode ser indicada, geralmente associada à quimioterapia. Em situações mais avançadas, quando o tumor já se espalhou, a quimioterapia costuma ser o principal recurso terapêutico.
Mesmo com os avanços da medicina, o prognóstico ainda é considerado delicado. “Especialmente na doença metastática, a sobrevida é curta, podendo variar, em média, de 6 a 11 meses de vida, dependendo do tipo de tratamento que é realizado. Mas, caso seja operável, o câncer de pâncreas apresenta um diagnóstico melhor”, finaliza o especialista.
Um alerta que vai além do caso
Histórias como a do príncipe Philip ajudam a ampliar o olhar sobre doenças que, muitas vezes, passam despercebidas até fases mais avançadas. No caso do câncer de pâncreas, a dificuldade de diagnóstico precoce ainda é um dos maiores desafios.
Por isso, atenção aos sinais do corpo, acompanhamento médico e cuidado com fatores de risco seguem sendo caminhos importantes – não apenas para detectar a doença, mas para aumentar as chances de um tratamento mais eficaz. Em um cenário em que o silêncio pode ser um dos principais obstáculos, informação continua sendo uma das ferramentas mais valiosas.
Sobre o especialista
Dr. Ramon Andrade de Mello é médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo). Também é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). Tem MBA em gestão de clínicas, hospitais e indústrias da saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), São Paulo.
*Fonte: Holding Comunicação
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