Sempre pede desculpas sem ter culpa? Pode ser o efeito Darvo
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Há relacionamentos em que o apontamento de algum incômodo resulta em apenas uma conversa para entender o que machucou e encontrar soluções. Em outros, no entanto, o desconforto de um se torna uma grande discussão, na qual a pessoa que se sentiu atingida acaba tendo seus sentimentos invalidados e, no final, ainda pede desculpas por ter causado uma briga. Essa tática de manipulação, comum em relacionamentos tóxicos, segundo psicólogos, é chamada de Darvo.
“É uma estratégia extremamente violenta. Ela mina a verdade, silencia quem denuncia e desvia o foco da responsabilidade do culpado“, apontou a pesquisadora especialista em saúde mental, Arielle Sagrillo Scarpati, no seu perfil do Instagram.
Entenda a tática Darvo
Com maior destaque nas redes sociais nos últimos meses, o termo foi criado pela psicóloga de traumas norte-americana Jennifer Freyd, na década de 1990. Ele é uma sigla em inglês para Deny (negar), Attack (atacar) e Reverse Victim and Offender (inverter vítima e ofensor). De acordo com Scarpati, o acrônimo descreve um padrão de comportamento manipulador, usado para retirar a culpa do abusador e transferi-la para o outro.
“O D refere-se ao momento em que o agressor nega que qualquer violência tenha ocorrido: ‘Isso é mentira. Eu nunca faria isso’. O A ocorre quando ele ataca a credibilidade da vítima, espalha boatos ou a ridiculariza. Exemplo: ‘Ela está inventando isso porque é instável, vingativa ou quer atenção’. Por fim, o R, V, O acontece quando o manipulador se coloca como a verdadeira vítima da situação, alegando estar sofrendo uma injustiça”, esclareceu a especialista.
Como sair desse tipo de relação?
Assim, o indivíduo fica com a autoestima abalada — um problema que, geralmente, já apresentava antes e que, inclusive, aumentou a probabilidade de entrar em relações desse tipo. Outros comportamentos, como a dificuldade de romper vínculos, ainda costumam colocá-lo em risco e levá-lo a desenvolver uma dependência mútua. Para sair da situação, portanto, é necessário buscar informação, a fim entender o que realmente está acontecendo e se apoiar em uma rede de especialistas e de entes queridos.
O reconhecimento e a ajuda possibilitarão enxergar a realidade sem a distorção criada pelo parceiro e, dessa forma, reconstruir o emocional. “Nomear é resistir. Ao reconhecer o DARVO, conseguimos quebrar o ciclo da manipulação e fortalecer redes de apoio a quem denuncia abusos. Se alguém compartilha uma experiência de violência, escute com respeito e sem julgamento”, orientou Arielle Sagrillo Scarpati.
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