Viva Nápoles e seus tesouros escondidos
ICARO Media Group
Por Neely Swanson para o Beverly Hills Courier
Itália! São as gôndolas de Veneza, a Galeria Uffizi de Florença, o Teatro alla Scala de Milão e o Vaticano em Roma; mas Nápoles é um país à parte.
Assim como na maior parte do litoral, Nápoles, a cidade mais densamente povoada da Itália, foi construída sobre as colinas. O centro da cidade, que começa com um café e um doce no histórico Café Gambrinus, atrai você magneticamente em direção ao porto, passando pelo histórico Teatro di San Carlo, a casa de ópera mais antiga da Itália em funcionamento contínuo. Mais antigo que o La Scala de Milão, foi construído no século XVIII, quando a ópera napolitana dominava o mundo. O caminho, ao longo da Via Vittorio Emanuele II (ele foi o primeiro rei da Itália independente, por isso está entronizado em todas as cidades e vilas), continua em direção ao Castel Nuovo — um castelo medieval lindamente preservado e galeria de arte — e ao porto. Um dos maiores da Itália, é daqui que você pode pegar um ferry para a Sicília, Sardenha, Capri, Sorrento e Amalfi. É também um cais para os mega navios de cruzeiro, os hotéis flutuantes de Las Vegas, como o Royal Caribbean Symphony of the Seas (5.448 hóspedes).
Casa de Octavius Quartio, Pompeia
Foto de Larry Swanson
Ao passarmos por esses monumentos, Fiorella, nossa fabulosa guia, nos conduziu por ruelas estreitas, apontando o colorido e íngreme Bairro Espanhol e a Galleria Umberto, do século XIX, com seu enorme teto de vidro em forma de cúpula que parece ter sido construído ontem, mas é apenas alguns anos mais novo que a Galleria de Milão. Explicando a história da classe trabalhadora de Nápoles, ela nos levou pela Via Santa Lucia, um verdadeiro estudo sobre a socioeconomia da cidade, pois um lado da rua é decididamente de classe alta, com seus restaurantes caros e apartamentos de luxo, e o outro lado parece saído diretamente da série "A Amiga Genial", de Elena Ferrante, com cortiços decadentes, roupas penduradas em todas as janelas (embora, para ser justo, você encontrará roupas secando por toda a cidade) e vielas perigosas. Mas, acima de tudo, Nápoles é a porta de entrada para o Monte Vesúvio e as ruínas de Pompeia. E a primeira parada, para entender esse sítio arqueológico, deve ser o Museu Arqueológico Nacional.
Ele abriga a maior parte do tesouro original encontrado durante as escavações de Pompeia, um processo ainda em andamento. Os afrescos, estátuas, vitrais e, especialmente, os mosaicos oferecem um primeiro vislumbre das maravilhas que fizeram parte de Pompeia. Os artefatos encontrados no museu, incluindo o molde comovente de uma mulher prostrada, agonizando em busca de refúgio das cinzas e do calor, foram removidos de Pompeia para restauração e melhor preservação. A recriação da Vila dos Papiros proporciona uma visão geral da vida patrícia naquele que era o refúgio dos romanos ricos que buscavam abrigo da política da cidade grande. O filósofo e naturalista Plínio, o Velho, almirante da Marinha, estava a bordo de um navio próximo à área da erupção. Ele ordenou que seu navio se aproximasse da costa para resgatar um amigo. Mas Plínio, o Velho, morreu na praia, sendo encontrado nos dias seguintes. Seu sobrinho, Plínio, o Jovem, que vivia perto o suficiente de Pompeia para observar, mas longe o bastante para permanecer em segurança, escreveu sobre os estágios iniciais da erupção e suas consequências. Os seus escritos são os melhores registros que restaram do que aconteceu. Duas de suas cartas originais para Tácito, o historiador romano, estão guardadas aqui. Mas nada se compara à onda de admiração que nos invade ao entrarmos pelos portões de Pompeia.
Escadaria que liga o centro da cidade à Via Vittorio Emannuele
Foto de Larry Swanson
Pompeia, a apenas 30-45 minutos de Nápoles, foi construída sobre um assentamento grego e muitas das influências artísticas e arquitetônicas dessa época permaneceram. À sombra do Vesúvio, suas erupções anteriores eram história antiga para os pompeianos daquele período. Apesar dos terremotos que assolavam a região, foi a localização de Pompeia à beira-mar, ao sul de Nápoles, que a tornou particularmente atraente para os romanos ricos, que construíram enormes vilas, cultivaram as terras férteis e estabeleceram um extenso distrito comercial. Ao entrar pelo portão principal, é importante lembrar que tudo o que você verá foi soterrado, pelo menos parcialmente, por cinzas e lava do Vesúvio em 79 d.C. Muitos dos tesouros foram saqueados por ladrões e sobreviventes logo após a erupção, mas foi somente em 1592 que as primeiras paredes foram descobertas. Escavações científicas propriamente ditas só começaram quase 200 anos depois.
Ao passar por uma necrópole com seus cedros e marcos de pedra, chega-se ao anfiteatro, construído para acomodar 20.000 pessoas, com uma série de entradas especiais designadas para a classe alta, a classe trabalhadora, mulheres e escravos. Ali eram realizadas lutas de gladiadores; as jaulas para humanos eram separadas das de seus adversários animais. A acústica é tão boa que concertos, incluindo um de Elton John, foram realizados ali nos últimos anos.
A área de Pompeia é enorme e é impossível explorar tudo, por isso um bom guia é imprescindível. Um dos pontos altos para nós foi a avenida das lojas. Havia balcões de restaurantes com buracos para terrinas de sopa, o equivalente pompeiano do fast food. Uma padaria com seus fornos foi descoberta recentemente. Ao longo de outro corredor, há uma lavanderia com enormes tanques onde roupas e utensílios domésticos eram branqueados e batidos por servos e escravos. Utilizando fontes termais naturais, havia spas e banhos para todas as classes sociais. Assim como Amsterdã, Pompeia tinha seu bairro da luz vermelha, onde os bordéis eram identificados por placas bastante sugestivas. Esculturas e imagens gravadas nas ruas de pedra e nos edifícios de estuque representavam apêndices masculinos usados como indicadores de direção e aldravas.
Uma rua típica do centro da cidade
Foto de Larry Swanson
Por trás desses negócios terrenos ficavam as casas dos abastados, com seus gramados e estátuas gregas. Os verdadeiramente ricos e poderosos tinham suas mansões ainda mais distantes do distrito comercial; mansões com inúmeros cômodos, banhos, fontes, vastos gramados e vestígios de afrescos nas paredes e mosaicos no chão. Continuando nosso caminho, das lojas e mansões menores chegamos aos Teatros Grande e Pequeno, construídos como os teatros gregos, com arquibancadas íngremes, pisos de grama e acústica perfeita. E tudo isso culminava no ponto alto: o Fórum Cívico, o coração da vida cotidiana, com seus prédios públicos de administração e justiça, mercados delimitados por canais escavados na rua para escoar água e esgoto, fontes e colunas maciças que levavam ao Templo de Júpiter, com suas estátuas na colina com vista para o vale circundante, uma visão magnífica que é o ápice de qualquer visita a Pompeia. Uma caminhada de duas horas e meia ao ar livre é suficiente para ter uma ideia de como era a Roma antiga antes que um vulcão devastasse uma população despreparada.
Ainda há muito a ser descoberto em Pompeia e você pode aprender mais assistindo à excelente nova série documental da PBS chamada "Pompeii: the New Dig" ("Pompeia: a Nova Escavação", em tradução livre). Você terá uma visão privilegiada dos extraordinários afrescos recém-descobertos e ainda coloridos, incluindo um que retrata o que pode ter sido um ancestral da venerada pizza napolitana!
Nápoles definitivamente tem de estar na sua lista de desejos, não apenas por sua história antiga e arquitetura singular, mas também do ponto de vista culinário. Você nunca provou pizza de verdade até visitar um dos seus restaurantes mais aclamados. A "L'antica Pizzeria da Michele", com suas filas intermináveis, ostenta uma estrela Michelin!
"Veja Nápoles e morra", diz o velho provérbio italiano. Em vez disso, eu preferiria simplesmente voltar lá.
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