Brasileiro passa a buscar mais segurança e planejamento antes de fechar uma viagem
Portal Edicase
O brasileiro continua querendo viajar, mas mudou a forma de planejar as férias. Depois de anos marcados por decisões impulsivas e excesso de estímulos nas redes sociais, o consumidor passou a pesquisar, comparar e buscar mais segurança antes de fechar uma viagem.
O movimento já é percebido pelo setor. Segundo levantamento da plataforma Opinion Box em parceria com a Serasa Experian, 77% dos brasileiros pretendem viajar em 2026, mas o planejamento financeiro aparece entre as principais preocupações dos consumidores. Na prática, isso significa um turista mais cauteloso e menos disposto a lidar com imprevistos.
Planejamento financeiro em destaque
Para Paulo Manuel, fundador e CEO da TZ Viagens e especialista no setor de turismo, o comportamento do consumidor mudou principalmente após uma sequência de instabilidades econômicas, aumento do custo das viagens e experiências negativas enfrentadas nos últimos anos.
“O consumidor ficou mais atento. Hoje ele quer entender exatamente o que está comprando, quais são as regras, o que está incluso e principalmente quer ter mais previsibilidade antes de tomar uma decisão”, afirma.
A preocupação financeira continua presente, mas agora aparece muito mais ligada à sensação de segurança do que necessariamente ao desejo de gastar menos. “As pessoas continuam viajando, mas não querem mais transformar férias em fonte de estresse. O cliente busca planejamento justamente para evitar surpresas, custos inesperados e problemas durante a viagem”, diz Paulo Manuel.
Crescimento do atendimento consultivo no turismo
A mudança na forma de planejar férias também fortaleceu a procura por atendimento consultivo no turismo. Mesmo com o crescimento das plataformas digitais e do autoatendimento, muitos consumidores passaram a valorizar mais o suporte especializado na hora de organizar uma saída, principalmente diante do aumento das exigências, regras e detalhes envolvidos em viagens nacionais e internacionais.
A diferença de preço entre comprar sozinho pela internet e contar com uma consultoria especializada muitas vezes é pequena, mas o impacto na experiência pode ser enorme. O consumidor começou a perceber que, sozinho, ele pode acabar tomando decisões erradas por falta de informação. Às vezes escolhe um voo ruim, um roteiro incompatível com o perfil da viagem, deixa passar alguma regra importante ou acaba tendo custos extras que não estavam previstos. O atendimento consultivo voltou a ganhar força justamente porque reduz esse risco.
O excesso de informação disponível na internet também contribuiu para esse movimento. Em vez de facilitar, o grande volume de opções acabou gerando insegurança em parte dos consumidores. “O cliente chega muito mais informado e mais confuso. São milhares de informações, tarifas, regras e ofertas diferentes. O papel da consultoria é justamente transformar tudo isso em uma experiência mais clara, segura e personalizada”, diz Paulo Manuel.
Novo cenário do turismo no Brasil
O comportamento deve continuar ganhando força nos próximos anos, impulsionando um turismo menos ligado à impulsividade e mais conectado a planejamento, suporte e segurança na experiência.
O movimento também já aparece nos números do setor. De acordo com o levantamento da Amadeus apresentado durante a ABAV Expo 2025, o varejo de agências físicas registrou crescimento de aproximadamente 36,8% no Brasil, refletindo uma procura maior por atendimento especializado e suporte consultivo na hora de planejar viagens.
Por Clarissa Perillo
