Anguilla – Como é a ilha dos famosos no Caribe, onde os “momentos duram para sempre”
Rota De Férias
A água avançava lentamente sobre a faixa de areia clara e praticamente deserta enquanto o céu começava a ganhar tons alaranjados diante do Sunset Lounge, um dos espaços mais disputados do Four Seasons Resort and Residences Anguilla. Lá embaixo, o mar parecia dividido em camadas: próximo às rochas, assumia nuances transparentes de verde. Mais adiante, transformava-se em um degradê azul-turquesa que se perdia no horizonte entre Barnes Bay e Meads Bay, duas das praias mais belas da região. Foi com um drinque local na mão, observando esse cenário idílico, que comecei a entender por que Anguilla se tornou um dos destinos mais desejados do Caribe por quem busca sol, sombra, água fresca e, principalmente, paz.
Ao contrário das ilhas mais famosas da vizinhança, comumente tomadas por grandes navios, ruas abarrotadas e resorts colossais, a vida aqui tem outro ritmo. Em Anguilla, não há cassinos, portos gigantescos ou centros urbanos movimentados. O território britânico ultramarino, situado no extremo norte do Caribe Oriental, aposta justamente no oposto: praias pouco exploradas, hotéis sofisticados, sim, mas sem afetação, restaurantes de alto nível e uma atmosfera que privilegia, acima de tudo, a privacidade e a tranquilidade.
Sem tempo para a pressa, Anguilla seduz justamente pela ausência de exageros, que sai de cena apenas quando se está diante das cores do mar, excessivamente fascinantes, ou da abundância gastronômica, uma das mais celebradas do Caribe. Mesmo o Four Seasons Resort and Residences Anguilla, principal resort da ilha, parece seguir essa lógica. Situado em uma área privilegiada sobre uma falésia entre Barnes Bay e Meads Bay, duas das praias mais bonitas da região, o empreendimento esbanja luxo pelo simples fato de não ser caricato – e por ter vistas de encher os olhos.
O que mais impressiona ali não é a opulência, mas o serviço. Basta esboçar a mínima menção de que irá estender uma toalha na espreguiçadeira, servir-se de uma bebida ou pegar o cardápio na mão para que um funcionário solícito apareça oferecendo ajuda. Na praia ou na piscina, isso pode se traduzir em uma garrafa de água gelada, um shot refrescante, um espetinho de frutas e até mesmo um potinho com protetor solar. A você, só cabe relaxar.
Como chegar a Anguilla
Vizinha de St. Maarten e St. Martin, Anguilla é um território britânico ultramarino situado no Caribe | Paulo Basso Jr.
Boa parte dos turistas chega a Anguilla após pegar um ferry na vizinha St. Maarten, que tem um dos aeroportos mais movimentados da região (famoso pelas aeronaves que pousam bem próximas da praia) e recebe voos que partem de São Paulo com escala na Cidade do Panamá. O trajeto na embarcação dura apenas 25 minutos.
Como eu vinha de Miami, porém, voei diretamente para o Clayton J. Lloyd International Airport, aeroporto que fica no próprio território ultramarino britânico. Esse é o caminho mais caro e burocrático, por conta da exigência do visto americano, porém mais prático.
Onde ficar em Anguilla
Uma das três piscinas do Four Seasons Resort and Residences Anguilla | Paulo Basso Jr.
No trajeto de 20 minutos até o Four Seasons Resort and Residences Anguilla, com transfer organizado pelo próprio hotel, Anguilla começou a se exibir timidamente diante dos meus olhos. Não há avenidas costeiras dominadas por hotéis altos nem grandes complexos comerciais, mas sim uma rodovia estreita cercada por pequenas igrejas, casinhas coloridas e acessos discretos para praias em meio à vegetação rasteira. Aqui e ali, o mar dá as caras no horizonte, mas ainda em tons comedidos.
Quando o carro finalmente entra na propriedade do resort, entremeada por uma longa passarela entremeada por coqueiros, a paisagem muda completamente. No lobby aberto, com quadros coloridos e presença marcante de madeira na elegante decoração, as boas-vindas se dão com toalhas umedecidas e drinques. No caso, um rum punch preparado com o famoso rum Mount Gay de Barbados, fabricado desde 1703 e envelhecido em barril. O coquetel leva sumos de frutas (abacaxi, laranja, lima), adoçante (xarope ou grenadine) e especiarias como noz-moscada.
Mas o que eu queria saber mesmo era do mar, que surge logo à frente, diante da piscina de adultos, uma das três do empreendimento. Foi ali, diante daquele azul estonteante, que ouvi pela primeira vez uma frase repetida em diversas situações durante a viagem: “Em Anguilla, os momentos duram para sempre”. De fato, acho que jamais esquecerei daquele instante.
Uma vez na acomodação, quem disse que eu queria sair dela? Com piscina privativa em um enorme terraço com vista frontal para o oceano, o quarto de 118 metros quadrados tinha cama king size, sala com sofá, copa com frigobar e microondas, cafeteira Nespresso e banheira. A decoração aposta em tons claros, pedra e tecidos leves, enquanto enormes portas de vidro praticamente desaparecem diante da paisagem que envolve a piscina central, uma das mais bonitas do hotel, e a falésia se debruçando sobre o mar.
Do lado esquerdo está Barnes Bay, uma praia com água represada, perfeita para famílias. À direita, Meads Bay, que ganhou meu coração, é um pouco mais movimentada – mas pouco, mesmo, uma vez que, em Anguilla, se tiver mais de 15 pessoas na faixa de areia, os nativos já costumam dizer que ela está lotada. Em comum, ambas contam com espreguiçadeiras exclusivas para os hóspedes e serviço completo do Four Seasons, com direito a água gelada e cardápio com comes e bebes preparados nos bares pé na areia da propriedade, o Lime Limon e o Bamboo Bar. Em Meads Bay, quem quiser também dá para reservar, sem custo adicional, stand up paddle e equipamento de snorkel, o que é muito recomendado, já que não faltam peixinhos coloridos no pedaço.
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O que fazer em Anguilla
Placa de Anguilla que viralizou nas redes sociais | Paulo Basso Jr.
Com toda a mordomia oferecida pelo Four Seasons Resort and Residences Anguilla, duro mesmo é sair de lá. Mas Anguilla recompensa quem decide explorar a ilha. Mesmo porque não é preciso se esforçar muito para isso. Com apenas cerca de 26 km de comprimento e 5 km de largura no trecho mais extenso, o território ultramarino britânico permite ao visitante atravessar praias, mirantes históricos, vilas de pescadores e enseadas praticamente desertas no intervalo de poucas horas. E o mais impressionante é que o próximo cenário parece sempre ser ainda mais bonito que o interior.
Mirante e Sandy Ground
Sandy Ground | Paulo Basso Jr.
Meu tour pela região começou num mirante com o letreiro e o mapa de Anguilla, que está fazendo sucesso nas redes sociais. Ele dá vista para Sandy Ground, uma das regiões mais movimentadas da ilha. O pequeno centrinho costeiro reúne barcos ancorados, bares simples, restaurantes pé na areia e um antigo lago que ajuda a contar um pouco da história econômica local.
Durante muito tempo, a extração de sal esteve entre as principais atividades de Anguilla. Hoje, é o turismo que assume esse papel, inclusive na área, de onde saem passeios de barco para explorar os arredores. Eu mesmo voltaria ali duas vezes, mas não antes de explorar outros pontos da ilha, como a igreja católica St. Gerard's e o casarão vizinho que, antigamente, servia de base para uma plantation onde se produzia rum; e o Island Harbour, uma simpática vila de pescadores com forte influência das mulheres na atividade e renda superior à média da categoria, uma vez que eles fornecem para os hotéis locais praticamente sem intermediários.
Shoal Bay, uma das praias mais lindas do mundo
Shoal Bay, uma das praias mais bonitas do mundo | Paulo Basso Jr.
Como não poderia deixar de ser, porém, o que salta aos olhos para valer são algumas das 33 praias de Anguilla. Uma delas, em especial, atrai mais atenção. Trata-se de Shoal Bay, frequentemente listada entre as praias mais bonitas do mundo por publicações conceituadas de turismo, como Condé Nast Traveler e Travel + Leisure e Tripadvisor. Não é difícil entender o motivo.
Cercada de verde, a estreita faixa de areia branca parece quase coadjuvante diante de um mar que alterna diferentes tons de azul ao longo do dia, enquanto pequenos barcos ajudam a compor o cenário. E o melhor de tudo é que, apesar da fama internacional, Shoal Bay permanece praticamente vazia na maior parte do ano, sem grandes estruturas espalhadas pela orla. Não dá para dizer que é um segredo bem escondido, mas ainda assim é isso que você sente quando está por lá.
Katouche Valley
Katouche Cave | Paulo Basso Jr.
Outra praia que vale a visita é Katouche Bay, especialmente se você chegar lá após o hiking organizado pela Quest Experiences. Tranquilo, o passeio guiado revela os poderes medicinais da flora local e inclui uma visita à Katouche Cave, caverna que destaca uma enorme árvore que se projeta por uma fenda no vale, onde entra luz. Isso não impede, entretanto, a presença de morcegos no local. Mas pode ir sem medo, pois o guia conduz tudo com a maior tranquilidade e, logo adiante, você chega à faixa de areia e é recebido com frutas e doces locais. Na minha vez, não tinha ninguém por lá, além de mim e da turma da Quest. Cercado de verde e banhado por águas azuis, Katouche Bay é tudo que você sonhou para as férias perfeitas.
Sandy Island
Sandy Island | Paulo Basso Jr.
De volta a Sandy Ground, é possível fazer dois dos passeios mais famosos em Anguilla: um na hora do almoço, outro ao pôr do sol. O primeiro segue para Sandy Island, um pequeno atol cercado por águas cintilantes onde não há nada mais que um restaurante. O trajeto de lancha leva sete minutos, e basta desembarcar para viver mais algum daqueles momentos que duram para sempre. Se no território principal de Anguilla já não há muita gente, Sandy Island oferece apenas algumas mesas espalhadas na areia, coqueiros inclinados pelo vento e um mar transparente em diferentes tons de azul.
Vá sem pressa, pois o serviço por lá é lento, ainda mais se algum iate ancorar e a turma estiver com fome. Demoraram quase duas horas para me servir alguns peixes grelhados, camarões e uma lagosta enorme, mas quer saber: quanto mais tempo puder passar por lá, melhor. O aroma dos pratos se mistura constantemente à maresia, e tudo que você precisa decidir ali, além do que deseja comer, é quando dará um mergulho no mar antes de voltar para o hotel.
Passeio de barco ao pôr do sol
Pôr do sol em Little Bay durante tour de veleiro | Paulo Basso Jr.
Horas depois, já de volta ao mar, embarquei novamente em Sandy Ground para um cruzeiro ao pôr do sol organizado pela Tradition Sailing. Quando o veleiro deixou o píer, eu já esperava coisa boa pela frente, mas não sabia que seria um “uau” atrás do outro.
Isso porque, durante o tour, no qual são servidos drinques e comidinhas, como queijos e tâmaras envoltas por bacon, é possível observar diversos cartões-postais locais, como o Crocus Hill, o ponto mais alto da região (e olha que ele tem apenas 68 metros) e Little Bay, onde fica a LeBron James Rock. A rocha ganhou esse apelido quando, em 2018, o craque do basquete americano a escalou antes de pular no mar.
Foi justamente nessa área que o veleiro ancorou assim que o crepúsculo se avizinhou. E ali concluí que, de fato, existe algo de magnético quando o sol resolve sair de cena na região. Já tinha vivenciado experiências semelhantes em outras ilhas do Caribe, mas com Anguilla, de fato, a concorrência é desonesta. Há quem diga que o branco das nuvens, o alaranjado do sol e o azul do mar são os responsáveis pelo brasão que enfeita a bandeira da ilha. Não pude comprovar se é verdade, mas que a combinação é linda, não tenho dúvidas.
Onde comer em Anguilla
Frutos do mar, como lagostas, e peixes fazem parte dos cardápios de Anguilla | Paulo Basso Jr.
Quem mora em Anguilla costuma dizer que a ilha tem mais restaurantes por habitante do que qualquer outro destino caribenho. E é inegável que, para uma ilha pequena e relativamente discreta, há uma quantidade bastante considerável de oferta gastronômica de qualidade entre as praias, as vilas de pescadores e as encostas voltadas para o mar que tomam conta do território ultramarino britânico. Os hotéis concentram os endereços mais badalados, mas lugares despretensiosos também se destacam, muitas vezes construídos à beira-mar, onde lagostas frescas, peixe grelhado, rum punch e música ao vivo fazem parte da rotina.
Restaurantes dentro do hotel
Pôr do sol no Sunset Lounge, do Four Seasons Resort and Residences Anguilla | Paulo Basso Jr.
O Salt, principal restaurante do Four Seasons Resort and Residences Anguilla, talvez seja o melhor exemplo da forma como a ilha mistura sofisticação e informalidade na medida certa. Decorado com diversas texturas e iluminado de forma elegante durante a noite, a casa trabalha ingredientes locais com uma abordagem contemporânea, reinterpretando sabores caribenhos sem perder leveza.
Em qualquer refeição, como o café da manhã ou o jantar, é possível provar Johnnycakes quentinhos, pães fritos que lembram o sonho brasileiro, embora salgados, e que têm esse nome porque eram preparados para as journeys (jornadas) dos exploradores estrangeiros. Com o tempo, journey virou Johnny, e o resto é história. À noite, a iguaria é servida como entradinha para o menu principal, que tem ostras, mandioca frita, um macarrão com frutos do mar dos deuses e um delicioso peixe vermelho servido com purê de batata doce.
Já o Sunset Lounge, outro endereço do resort, segue uma linha mais descontraída. No fim da tarde, quem chega de fora e hóspedes começam a ocupar os sofás voltados para a convergência entre Barnes Bay e Meads Bay, enquanto garçons circulam com coquetéis tropicais, taças geladas e pequenos pratos de influência asiática (o raibow roll e o hamachi tiradito valem a pedida). O pôr do sol (olha ele aí de novo!) faz o restante do trabalho e, na sequência, há bandas ao vivo que comandam a noite mais animada de Anguilla.
Restaurantes fora do hotel
Straw Hat Restaurant | Paulo Basso Jr.
Fora do hotel, um restaurante que me chamou atenção foi o Mango’s Seaside Grill, em Barnes Bay, um dos favoritos dos nativos justamente por combinar vista para o mar, ambiente descontraído e frutos do mar deliciosos. O clima lembra aquele Caribe clássico que muita gente imagina existir apenas em filmes, com luz baixa, barcos balançando ao fundo, mesas abertas para o vento e o som das ondas dominando o ambiente. O que mais se pode querer? Pois eu queria uma lagosta feita na brasa, que foi servida à perfeição.
Ainda na trilha gastronômica, o Straw Hat, localizado em Meads Bay, é mais um endereço que merece entrar no roteiro. Tradicional, o estabelecimento proporciona uma vista fantástica do mar e serve ótimos peixes grelhados, com destaque para o vermelho. Dali, dá para ir a pé até o Four Seasons Resort and Residences Anguilla, cravando os pés na areia fofa e fina como talco diante da imensidão azul do mar.
Por que ir para Anguilla
LeBron James Rock em Little Bay, Anguilla | Paulo Basso Jr.
E é assim, entre um dia relaxando no hotel, um passeio de barco, uma trilha e pratos bem executados que Anguilla aposta no que há de mais luxuoso hoje em dia no mundo das viagens: a discrição. Ela aparece no silêncio das praias quase vazias, na ausência de correria e no som da brisa invadindo as sacadas dos quartos de hotéis.
Beyoncé, Jay-Z, Leonardo DiCaprio, Sandra Bullock, Justin Bieber, Denzel Washington, Robert De Niro e Paris Hilton estão entre as celebridades que descobriram tudo isso nos últimos anos ao escolherem a região como refúgio de férias. E o próximo a viver os momentos que duram para sempre na ilha pode ser você.
O que você precisa saber antes de ir a Anguilla
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De quebra, vale a pena comprar um pouco de dinheiro do país que você visitará. Pode ser em espécie ou em cartão, mas não viaje sem nada.
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