Carro próprio volta ao planejamento familiar mesmo com custos em alta
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Levantamentos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram que os preços médios dos automóveis novos seguem em patamar elevado após as altas acumuladas nos últimos anos – reflexo de custos industriais, câmbio e ajustes na cadeia produtiva. No mercado de usados, a valorização também persiste, o que encarece a troca de veículo e exige maior organização financeira por parte do consumidor.
Leonardo Baldez, economista e educador financeiro, avalia que a volta do carro próprio ao radar não está associada apenas ao desejo de consumo, mas a uma decisão prática. “O custo de manter a mobilidade sem veículo aumentou. Transporte por aplicativo, deslocamentos diários e demandas familiares passaram a pesar mais no orçamento, o que leva muitas famílias a reavaliar a compra”, afirma.
Pressão de despesas muda a forma de compra
Além do valor de aquisição, as despesas fixas passaram a ter peso decisivo na decisão. O IPVA, concentrado no início do ano, o seguro automotivo, que acompanha o valor dos veículos e a sinistralidade, e os custos de manutenção, impactados por peças e serviços mais caros, ampliaram a cautela dos consumidores.
Nesse contexto, Baldez observa uma mudança clara de comportamento. “Com juros elevados, o financiamento tradicional encarece muito o custo final do carro. O consórcio surge como alternativa de planejamento, permitindo diluir o valor sem a incidência de juros”, explica. Segundo ele, a previsibilidade das parcelas se tornou um diferencial relevante.
Consórcio ganha espaço no planejamento familiar
Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) indicam que o consórcio de veículos mantém crescimento consistente no País, com tíquetes médios considerados mais acessíveis em relação ao financiamento. O modelo permite a compra de carros novos ou usados, além de motos e utilitários, com prazos mais longos e menor impacto imediato no orçamento.
“O consórcio deixou de ser uma opção distante. Hoje, ele é visto como instrumento de organização financeira, especialmente para quem não tem pressa e quer evitar o custo dos juros”, afirma Baldez. Ele destaca que o formato também atrai consumidores mais jovens, que priorizam planejamento em vez de endividamento imediato.
Perfis de aquisição se diversificam
De acordo com o economista, é possível identificar ao menos três perfis predominantes. O primeiro é o de famílias que buscam o primeiro carro, geralmente motivadas por mudanças na rotina ou pelo aumento do custo do transporte diário. O segundo envolve consumidores que planejam a troca do veículo e utilizam o consórcio como forma de organizar a compra. Já o terceiro perfil é formado por pequenas e médias empresas, que recorrem ao modelo para renovar ou ampliar frotas.
“No caso das PMEs, o consórcio funciona como ferramenta de gestão de caixa. A empresa consegue planejar a renovação da frota sem comprometer o capital de giro”, diz Baldez.
Planejamento passa a ser o eixo central
Baldez alerta que, apesar da retomada do interesse pelo carro próprio, a decisão exige uma visão ampla dos custos envolvidos. “Não basta olhar apenas a parcela do consórcio. IPVA, seguro e manutenção precisam estar no planejamento desde o início”, aponta.