HIV em mulheres 50+ aumenta no Brasil
Anamaria
A participação de mulheres com 50 anos ou mais entre os casos femininos de HIV no Brasil quase dobrou na última década, passando de 10,9% para 17%, segundo dados do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025 do Ministério da Saúde.
O levantamento indica que, enquanto as taxas de detecção entre populações mais jovens apresentam tendência de queda, cresce proporcionalmente o número de diagnósticos nessa faixa etária. Entre as mulheres diagnosticadas em 2025, 62,5% são pretas ou pardas, e a principal forma de transmissão continua sendo a via heterossexual.
Especialistas apontam que o diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios. Muitas mulheres após os 50 anos não se percebem em risco para infecções sexualmente transmissíveis, especialmente quando estão em relacionamentos estáveis ou já passaram pela menopausa.
Com o fim da preocupação com a gravidez, o uso do preservativo tende a diminuir, o que aumenta a exposição ao vírus. Em alguns casos, sintomas como cansaço, perda de peso ou infecções recorrentes também podem ser confundidos com sinais do envelhecimento, atrasando a investigação.
Para ampliar a proteção, o Brasil adota a estratégia de prevenção combinada, que reúne diferentes ferramentas disponíveis gratuitamente no SUS.
Entre elas estão a PrEP, medicamento de uso diário que reduz significativamente o risco de infecção, e a PEP, indicada após situações de possível exposição ao vírus e que deve ser iniciada em até 72 horas. Além disso, pessoas em tratamento antirretroviral que atingem carga viral indetectável deixam de transmitir o vírus por via sexual, conceito conhecido como Indetectável ou Intransmissível. O teste de HIV também é gratuito e pode ser realizado nas Unidades Básicas de Saúde em todo o país.
