Biografia conta trajetória de Dom Angélico, um dos maiores nomes da resistência à ditadura
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A Autêntica Editora e o Instituto Vladimir Herzog lançam este mês “Dom Angélico: Um abraço de quebrar os ossos“, biografia escrita por Camilo Vannuchi. A obra narra a trajetória de Dom Angélico Sândalo Bernardino, um dos principais nomes da Igreja progressista e da resistência à ditadura militar no Brasil, destacando sua atuação nas décadas de 1970 e 1980, período de forte tensão entre o regime e as camadas populares, sobretudo nas periferias paulistanas.
Nascido em 19 de janeiro de 1933, em Saltinho (SP), Dom Angélico foi bispo auxiliar em São Miguel Paulista e Vila Brasilândia, na Arquidiocese comandada por Dom Paulo Evaristo Arns, e também bispo de Blumenau (SC). Sua trajetória o consolidou como símbolo da luta por justiça social e defesa dos direitos humanos.
No texto de orelha, o Padre Júlio Lancellotti o define como “um bispo desconcertante, comprometido com os princípios do Evangelho e intransigente na defesa dos direitos humanos, dono de uma firmeza ímpar e disposto a se manifestar sobre temas que os outros bispos preferiam evitar.”
Além do trabalho pastoral, Dom Angélico teve intensa atuação política e social. Participou de movimentos por moradia, saneamento e direitos trabalhistas, sempre ao lado das populações periféricas. Entre os episódios marcantes de sua vida estão o protesto de 1977, quando sentou-se nos trilhos após a tragédia em Arruda Alvim, e sua reação firme ao assassinato do operário Santo Dias, em 1979, denunciando publicamente a repressão policial.
A biografia também relembra sua atuação como jornalista, ao usar os meios de comunicação para denunciar injustiças, enfrentar a censura e amplificar a voz dos oprimidos durante a ditadura. Dom Angélico faleceu em 15 de abril de 2025, aos 92 anos, sem ver o livro publicado.
Lançamento
O primeiro evento lançamento de Dom Angélico: Um abraço de quebrar os ossos acontece no dia 27 de outubro, a partir das 18h, durante o 47º Prêmio Vladimir Herzog, que acontece no Teatro Tucarena (R. Bartira, 347, Perdizes, São Paulo).
No dia 12 de novembro, às 19h, o livro será lançado na Livraria Megafauna (Copan – Av. Ipiranga, 200, loja 53, Centro, São Paulo), com um bate-papo entre o autor, Camilo Vanucchi, e o padre Júlio Lancellotti, seguido de sessão de autógrafos.
50 anos por Vlado
O lançamento está inserido na campanha 50 anos por Vlado, realizada pelo Instituto Vladimir Herzog para lembrar os 50 anos do assassinato de Vladimir Herzog pela ditadura militar.
O projeto inclui diversas ações, entre elas a recriação do emblemático ato inter-religioso realizado em 1975 na Catedral da Sé, em São Paulo, com a participação de Dom Angélico e outras importantes lideranças religiosas, e que reuniu 8 mil pessoas em um forte protesto contra a repressão do regime militar, tornando-se um símbolo da luta pela redemocratização do Brasil.
Em 25 de outubro de 2025, cinquenta anos depois, o evento será recriado na mesma Catedral da Sé, e será dedicado não só à memória de Herzog, mas também a todas as vítimas da ditadura militar. A programação incluirá manifestações inter-religiosas, apresentações culturais e vídeos, incluindo a leitura da carta de Zora Herzog, mãe de Vlado, feita pela atriz Fernanda Montenegro. Estarão presentes no evento ainda amigos e familiares de Vlado, parlamentares, ministros, figuras públicas e José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, representando as organizações realizadoras.
