Home
Notícias
Documentos mostram tentativa de Epstein de ampliar rede no Oriente Médio
Notícias

Documentos mostram tentativa de Epstein de ampliar rede no Oriente Médio

publisherLogo
Aventuras Na História
18/02/2026 15h16
icon_WhatsApp
icon_Twitter
icon_facebook
icon_email
https://timnews.com.br/system/rss_links/images/50839/original/Aventuras_na_Histo%CC%81ria.png?1764190102
icon_WhatsApp
icon_Twitter
icon_facebook
icon_email
PUBLICIDADE

A divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou que o empresário bilionário Jeffrey Epstein, condenado por abuso e tráfico sexual, buscou ampliar sua rede de contatos no Oriente Médio, tentando aconselhar líderes empresariais e figuras políticas da região entre 2017 e 2021. Os arquivos indicam esforços para estabelecer influência em países como Catar, Arábia Saudita e Egito, além de conexões com executivos dos Emirados Árabes Unidos.

O impacto mais imediato na região ocorreu em Dubai. A gigante portuária DP World anunciou na sexta-feira, 13, que Sultan Ahmed Bin Sulayem renunciou aos cargos de diretor-executivo e presidente do conselho. Duas fontes com conhecimento direto do assunto afirmaram à Reuters que a decisão ocorreu após o nome de Bin Sulayem aparecer nos arquivos divulgados e diante do crescente escrutínio sobre sua relação com Epstein.

Mensagens trocadas entre os dois mostram que Bin Sulayem discutiu relacionamentos sexuais com mulheres às quais Epstein o teria apresentado. Em um e-mail de 9 de novembro de 2007, o executivo relatou ter conhecido uma dessas mulheres em Nova York. “Sim, depois de várias tentativas ao longo de vários meses, conseguimos nos encontrar em Nova York”, escreveu ele, acrescentando que houve um mal-entendido porque “ela queria NEGÓCIOS! Enquanto eu só queria SEXO!”

A Reuters conseguiu revisar apenas parte dos arquivos relacionados a Bin Sulayem e não confirmou qual elemento específico levou à sua saída da DP World. O executivo não respondeu aos pedidos de comentário, e a empresa se recusou a comentar. O governante de Dubai também publicou decreto nomeando novo presidente para a Corporação de Portos, Alfândegas e Zonas Francas de Dubai, um dos cargos ocupados por Bin Sulayem.

Embora a menção nos arquivos não constitua prova de crime, investidores reagiram. A British International Investment (BII), agência de financiamento para o desenvolvimento do Reino Unido, anunciou a suspensão de novos investimentos na DP World. “Estamos chocados com as alegações que surgiram nos Arquivos Epstein relativas ao Sultan Ahmed Bin Sulayem“, declarou um porta-voz da instituição. “Em vista das alegações, não faremos novos investimentos com a DP World até que a empresa tome as medidas necessárias.”

O fundo canadense La Caisse também informou que está “suspendendo a alocação de capital adicional junto à empresa” até que a situação seja esclarecida e que sejam adotadas “as medidas necessárias”. Após as mudanças na liderança, a BII afirmou esperar continuar “nossa parceria para impulsionar o desenvolvimento de portos comerciais africanos importantes”. Já a La Caisse declarou que “a empresa tomou as medidas apropriadas” e que “agirá rapidamente para trabalhar com a nova liderança da DP World a fim de continuar nossa parceria em projetos portuários em todo o mundo”.

Outras conexões

Além dos Emirados Árabes Unidos, os documentos mostram que Epstein tentou intervir em questões diplomáticas envolvendo o Catar durante o bloqueio imposto entre 2017 e 2021 por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito. Em mensagens com o empresário catariano Sheikh Jabor Yousuf Jassim Al Thani, ele instou o país a “parar com as discussões e a acirramento dos ânimos”. Em outra mensagem, afirmou que “a atual equipe do Catar é muito fraca” e que “o Ministro das Relações Exteriores não tem experiência, e isso fica evidente”.

Os arquivos indicam ainda que Epstein pressionou Doha a estreitar laços com Israel para preservar boas relações com Donald Trump, então presidente dos EUA. Ele sugeriu reconhecer Israel ou destinar US$ 1 bilhão a um fundo para vítimas do terrorismo. O Catar manteve sua política independente e, em 2021, o bloqueio foi encerrado, repercute a CNN Brasil.

A atuação do empresário também envolveu discussões sobre a oferta pública inicial da Saudi Aramco. Em e-mail de 10 de setembro de 2016, ele alertou que a abertura de capital poderia expor o país a processos e confisco de bens. Posteriormente, em 16 de outubro de 2017, sugeriu vender à China uma opção de compra de US$ 100 bilhões na empresa para garantir liquidez e limitar exposição aos mercados públicos. A Saudi Aramco se recusou a comentar.

No Egito, e-mails mostram que um pedido de ajuda de um integrante da família de Hosni Mubarak foi encaminhado a Epstein em 2011, após a deposição do ex-presidente. Os documentos não detalham a natureza da assistência solicitada, e não foi possível confirmar se houve qualquer intervenção.

A Reuters afirmou não ter conseguido determinar o grau de sucesso de Epstein em influenciar seus contatos no Oriente Médio. Os documentos, porém, indicam que a região fez parte de seus esforços globais para cultivar relações com figuras proeminentes da política, finanças, academia e negócios.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
icon_WhatsApp
icon_Twitter
icon_facebook
icon_email
PUBLICIDADE
Confira também