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Maçarico-de-bico-fino é declarado extinto pela UICN
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Aventuras Na História
14/10/2025 17h58
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O maçarico-de-bico-fino (Numenius tenuirostris) não voltará a ser visto sobrevoando os pântanos e planícies alagadas da Europa e da Ásia. A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) declarou oficialmente a espécie extinta em outubro de 2025, após décadas sem registros. A decisão representa a primeira extinção global de uma ave na Europa continental, Norte da África e Oeste da Ásia — um título triste e indesejado.

Mas como chegamos até aqui? O desaparecimento do maçarico-de-bico-fino é resultado de um longo processo de declínio populacional, impulsionado por fatores humanos e ambientais que, somados, levaram ao fim de uma das aves migratórias mais emblemáticas do Velho Mundo.

Declínio da espécie

Os primeiros sinais de alerta surgiram em 1912, quando naturalistas notaram uma queda acentuada no número de indivíduos observados. Apesar disso, só em 1988 a espécie foi classificada como de alta preocupação de conservação.

Ao longo do século 20, cientistas realizaram buscas extensivas em regiões de reprodução e de invernada, mas nenhum avistamento foi confirmado desde meados da década de 1990. Em 2024, a extinção foi considerada altamente provável, e, um ano depois, oficializada pela UICN.

O maçarico-de-bico-fino era uma ave migratória que se reproduzia nas estepes da Ásia Central e passava os invernos na Europa, no Norte da África e no Oriente Médio. Essa ampla distribuição geográfica, embora parecesse uma vantagem, tornava a espécie extremamente vulnerável: qualquer alteração em suas rotas ou habitats podia ter efeitos devastadores.

As causas exatas da extinção permanecem incertas, mas os especialistas apontam uma combinação de fatores. A caça era comum em diversos países por onde a ave passava, especialmente antes da implementação de leis ambientais. Além disso, a drenagem de áreas úmidas, o pastoreio excessivo e o avanço da agricultura reduziram drasticamente os locais de reprodução e descanso dessas aves que nidificavam no solo.

O maçarico-de-bico-fino possuía pernas longas e um bico fino e pontudo, perfeito para sondar a lama em busca de insetos, crustáceos e moluscos. Seu canto doce e sibilante, descrito por observadores como melancólico, agora pertence apenas à memória e aos registros históricos.

Alerta e Riscos

A extinção do maçarico-de-bico-fino não é apenas uma tragédia isolada — é um sintoma da crise planetária de perda de espécies. Como predador de pequenos invertebrados, ele desempenhava um papel essencial na manutenção do equilíbrio ecológico de pântanos e turfeiras. Sua ausência cria uma lacuna que pode impactar outros organismos e alterar a dinâmica desses ecossistemas.

Segundo o ‘Independent’, essas aves também funcionavam como indicadores naturais da saúde ambiental. Seu desaparecimento revela o estresse crescente sobre habitats aquáticos e serve como um alerta de que outros ambientes úmidos estão em perigo.

O drama do maçarico-de-bico-fino lança luz sobre o destino de outras aves pernaltas, como o maçarico-real (Numenius arquata), seu parente próximo, atualmente em rápido declínio no Reino Unido. Desde 1995, a população dessa espécie caiu 51%, segundo dados do Plano de Ação britânico para o Maçarico-real — uma iniciativa que reúne agricultores, cientistas e organizações ambientais para tentar impedir uma nova extinção.

As medidas incluem o monitoramento de populações, a proteção de habitats de reprodução, o controle de predadores e a orientação de gestores de terras. Embora os resultados ainda sejam limitados, há sinais locais de recuperação, o que mostra que esforços coordenados podem fazer a diferença.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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