Novo tabaco sem fumaça acende alerta de especialistas; entenda
Bons Fluidos
Um novo tipo de tabaco sem fumaça, que vem se popularizando cada vez mais entre jovens, tem gerado preocupação entre profissionais da saúde: as bolsas de nicotina. De acordo com especialistas, apesar de serem vendidas como uma alternativa de redução de danos, a longo prazo elas podem ser tão viciantes e prejudiciais ao organismo quanto as opções tradicionais.
“Quando bem aplicada, essa política é adequada. Mas neste caso isso não ocorre, porque o produto não é oferecido apenas a quem busca reduzir o consumo de nicotina, e sim também ao público adolescente e jovem, para promover a entrada no tabagismo”, explicou o toxicologista Carlos Damin, ao ‘La Nación’.
O que é o novo tabaco sem fumaça?
As bolsas de nicotina são produtos que liberam a substância através da gengiva. Por conter uma quantidade menor de compostos químicos, sua comercialização tem como alvo os fumantes focados em diminuir os riscos do tabagismo e até aqueles que desejam abandonar o vício. Entretanto, essa variação apresenta níveis altos de nicotina. Segundo Damin, cada bolsinha equivale a entre oito e dez cigarros.
Por isso, quando consumidas por adolescentes e jovens adultos, em vez de reduzir os danos, o componente aumenta a probabilidade de desenvolver a dependência. O especialista explica que isso ocorre porque as substâncias se dissolvem rapidamente na saliva, facilitando a sua absorção pelo organismo, principalmente no sistema nervoso. Assim, como consequência, há elevação da frequência cardíaca e estímulo à produção de hormônios associados ao prazer e à adrenalina, como a dopamina e a epinefrina.
Riscos das bolsinhas
Essa ação ágil, então, resulta em impactos no coração e no cérebro, afetando a comunicação entre os neurônicos. O centro médico acadêmico norte-americano, Cleveland Clinic, cita ainda o risco de inflamações na boca, no nariz e nos vasos sanguíneos, bem como lesões hepáticas. Ademais, de acordo com a instituição, cerca de 30 compostos presentes no tabaco sem fumaça são cancerígenos.
No entanto, na opinião de Carlos Damin, os efeitos desses produtos não ficam claros no momento da venda e, por isso, costumam se assemelhar a “guloseimas”, o que atrai o público jovem. Diante disso, especialistas ressaltam a necessidade de desmistificar o uso das bolsinhas de nicotina.
“Algumas pessoas acham que é mais seguro do que cigarros ou mais fácil de usar porque não produz fumaça. Outras pensam que podem usá-lo para parar de fumar. Mas é um produto prejudicial, altamente viciante e não ajudará você a se livrar da nicotina. Os composto químicos presentes no tabaco sem fumaça representam sérios riscos à sua saúde a longo prazo. Se você não usa tabaco sem fumaça, não comece”, orienta a Cleveland Clinic.
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