Casal é espancado após reclamar de taxa extra por cadeiras em Porto de Galinhas
Contigo!

Um episódio de violência envolvendo turistas chocou frequentadores de Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco. Um casal vindo de Mato Grosso relatou ter sido atacado por um grupo numeroso de comerciantes após uma discussão sobre a cobrança pelo uso de cadeiras e guarda-sol na praia. Segundo as vítimas, o valor combinado inicialmente era de R$ 50, mas, no momento do pagamento, a quantia exigida teria subido para R$ 80, o que deu início ao conflito.
O empresário Johnny Andrade contou que a situação saiu rapidamente do controle e resultou em agressões físicas. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele descreveu a violência sofrida: “Meu rosto está completamente danificado, toda lateral do meu corpo está machucada porque eles bateram muito em mim (…) Tinha aproximadamente uns 30 [agressores] nesse momento”. Ele estava acompanhado do companheiro, Cleiton Zanatta, que também foi atacado. Ambos precisaram ser retirados do local com ajuda de salva-vidas, que os colocaram na caçamba de um veículo para evitar novas agressões.
Veja o vídeo:
Toda minha solidariedade ao casal vítima de agressões por vendedores em Porto de Galinhas. É evidente que a percepção de se tratar de um casal gay estimulou a violência dos agressores em efeito manada. Vamos acompanhar e cobrar a resolução desse caso e a punição aos criminosos. pic.twitter.com/bBHbnPvef2
— Guilherme Cortez (@cortezpsol) December 28, 2025
Relatos, resgate e posicionamento oficial
De acordo com o casal, mesmo após serem afastados, ainda sofreram novas agressões. Cleiton Zanatta relatou momentos de terror: “Antes dos salva-vidas saírem, eles conseguiram me tirar de cima da caminhoneta, arrastou de novo para 10, 15 metros e me deram muitos chutes nas costas e na cabeça”. Abalado, ele afirmou: “Eu espero nunca mais na minha vida pisar nesse lugar”. Vídeos gravados por banhistas mostram parte da confusão, incluindo pessoas arremessando areia contra as vítimas.
A Prefeitura de Ipojuca divulgou nota afirmando que o caso é grave e incompatível com os princípios do destino turístico. Em comunicado, declarou que “repudia e lamenta o episódio ocorrido em Porto de Galinhas” e que “os órgãos competentes já apuram o ocorrido para identificar os envolvidos e adotar as medidas legais cabíveis”. A gestão também informou que equipes da Guarda Municipal e salva-vidas atuaram para conter a situação.
Segundo o casal, não havia ambulância disponível, e eles precisaram custear o deslocamento até unidades de saúde por conta própria. Após exames e atendimento médico, retornaram à delegacia para registrar ocorrência e recuperar seus pertences. Eles também relataram que, mesmo após a agressão, tiveram de efetuar um pagamento via Pix à responsável pela barraca. A prefeitura afirmou ainda que vem realizando ações de ordenamento da orla, como recadastramento e identificação dos trabalhadores, medidas que devem ser ampliadas.