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Por reciprocidade, PF suspende acesso de agente dos EUA após ordem contra delegado brasileiro
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Por reciprocidade, PF suspende acesso de agente dos EUA após ordem contra delegado brasileiro

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22/04/2026 17h56
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©Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou nesta segunda-feira, à Globo News, que decidiu retirar as credenciais diplomáticas de um servidor dos Estados Unidos que atua no Brasil, medida tomada após a ordem americana para que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho deixasse o país.

A decisão ocorre no contexto de declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possibilidade de reciprocidade caso seja identificado abuso do governo Donald Trump na saída do delegado brasileiro do território americano. Andrei Rodrigues disse que, até o momento, o governo brasileiro não recebeu comunicação formal dos Estados Unidos com a justificativa da medida.

Segundo Andrei Rodrigues, Marcelo Ivo de Carvalho já retornou ao Brasil por determinação dele, para que seja possível verificar se há procedimento formal em órgãos citados por ele: "- Ele voltou por determinação minha, em razão desse episódio para que nós consigamos esclarecer se há um processo formal no Departamento de Estado, no próprio ICE...seja onde for - afirmou Andrei Rodrigues."

Na segunda-feira (20), a expulsão do delegado foi divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo Donald Trump. Em postagem na rede social X, o órgão afirmou que "nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso".

O delegado atuou com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em ação ligada à prisão de Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano; ele foi solto dois dias depois. Andrei Rodrigues afirmou que, no Brasil, não haverá expulsão do servidor americano e indicou que o tema vem sendo conduzido pelo Itamaraty: "- Não vamos expulsar ninguém aqui do Brasil. O Itamaraty está tratando, eu estava em viagem ao Exterior. O Itamaraty também no campo da reciprocidade diplomática tem feito reuniões, contatos, mas repito. É preciso que seja feita alguma formalização da nossa contraparte para que as coisas aconteçam - afirmou Andrei Rodrigues à Globo News."

Sem as credenciais, o agente dos Estados Unidos deixa de ter acesso à unidade em Brasília onde atuava e a bases usadas na cooperação policial entre os dois países. Andrei disse que algo semelhante ocorreu com Marcelo Ivo de Carvalho em Miami e reforçou: " Tanto o Marcelo Ivo não foi expulso dos Estados Unidos, como nós, Polícia Federal, não vamos expulsar ninguém do Brasil. Não é nosso papel".

O diretor-geral da PF também comentou o impacto político do caso: " A medida que uma agência tira as credenciais do meu policial [do delegado Marcelo Ivo], eu retiro as credenciais do policial norte-americano que está aqui e faço com muito pesar. "

Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na mesma ação penal que condenou Jair Bolsonaro (PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Ramagem, que foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro, foi eleito deputado em 2022 e teve o mandato cassado em dezembro passado após decisão do STF. De acordo com a Polícia Federal, ele deixou o Brasil pela divisa com a Guiana, seguiu para os Estados Unidos e está no país desde o ano passado, sendo considerado foragido pela Justiça brasileira.

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