Ramagem é detido em Orlando pelo ICE após condenação de 16 anos no STF
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O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi detido nos Estados Unidos pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), em um episódio que ocorre depois de ele ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A prisão ocorreu em Orlando, na Flórida, por volta de 11h no horário local — 12h em Brasília — e Ramagem foi encaminhado a um centro de detenção na própria cidade. A informação foi confirmada pela Polícia Federal à GloboNews, e autoridades brasileiras receberam o aviso da detenção por volta de 12h (horário de Brasília).
De acordo com as informações disponíveis, a detenção foi motivada por questões migratórias. O diretor-geral da PF afirmou que o governo brasileiro aguarda esclarecimentos sobre como será conduzido o retorno ao Brasil.
Ramagem havia deixado o Brasil após a condenação no STF. As investigações da Polícia Federal divulgadas pelo g1 apontam que ele saiu do país de forma clandestina antes do término do julgamento, passando pela fronteira de Roraima com a Guiana, e depois seguiu para os Estados Unidos.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça comunicou ao STF que o pedido de extradição foi formalmente encaminhado ao governo norte-americano. Segundo os dados informados, a Embaixada do Brasil em Washington enviou a documentação ao Departamento de Estado dos EUA em 30 de dezembro de 2025.
O ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol, medida que abriu caminho para uma eventual detenção por autoridades fora do Brasil. Aliados do ex-parlamentar diziam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos.
Delegado da Polícia Federal desde 2005, Ramagem ganhou projeção ao chefiar a segurança de Jair Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora durante a campanha de 2018. Na gestão Bolsonaro, comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em uma passagem que é alvo de investigações sobre o caso conhecido como "Abin Paralela".
Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo Diretor-Geral da Polícia Federal, mas a indicação foi suspensa por decisão do ministro Alexandre de Moraes, que citou a proximidade pessoal de Ramagem com a família do presidente.
Ele foi eleito em 2022 pelo PL-RJ com cerca de 59 mil votos. Em dezembro de 2025, teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara após a condenação criminal ligada à trama golpista. Em 2024, concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro e terminou a disputa em segundo lugar.

