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Ilha das cobras – Território no Brasil é um dos mais perigosos do mundo
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Ilha das cobras – Território no Brasil é um dos mais perigosos do mundo

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Rota De Férias
08/04/2026 17h04
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A Ilha das Cobras, oficialmente chamada de Ilha da Queimada Grande, é um dos lugares mais letais do mundo. Situada a cerca de 35 quilômetros da costa do estado de São Paulo, entre os municípios de Itanhaém e Peruíbe, o território abriga uma altíssima concentração de serpentes venenosas e tem acesso restrito ao público.

Isolada e coberta por Mata Atlântica, a área aparece nas principais listas de lugares mais perigosos do planeta e é lar de aproximadamente três mil serpentes. De acordo com o Instituto Butantan, a média é de 55 jararacas por hectare – a segunda maior densidade populacional do mundo, ficando atrás apenas da Ilha de Shedao, na China, que alcança a marca de 200 cobras por hectare.

Ilha da Queimada Grande: como a Ilha das Cobras surgiu

A explicação para a alta concentração de serpentes na Ilha das Cobras está relacionada ao isolamento geográfico. Há cerca de 11 mil anos, o aumento do nível do mar separou a área do continente, criando um ambiente isolado e confinando alguns animais.

Sem predadores naturais e com oferta limitada de alimento, as serpentes que permaneceram na ilha passaram por um processo de adaptação ao longo das gerações. Esse cenário favoreceu o crescimento populacional e o surgimento de espécies únicas, como a jararaca-ilhoa, que só existe ali.

Diferentemente de outras jararacas, ela se adaptou ao ambiente com poucos mamíferos. Por isso, sua alimentação é baseada principalmente em aves – muitas vezes, capturadas nas árvores.

Apesar da fama de extremamente letal, especialistas do Instituto Butantan apontam que há exageros em torno do veneno da jararaca-ilhoa. Estudos indicam que ele é altamente eficiente para imobilizar aves, mas não necessariamente mais potente do que os de outras espécies continentais.

Origem do nome Queimada Grande

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Itanhaém, o nome Ilha da Queimada Grande remete ao passado de pescadores da região, que já conheciam os perigos da ilha e evitavam desembarcar no local. Quando era necessário, contudo, eles ateavam fogo na vegetação para afugentar as cobras.

Apesar das tentativas de controle, o método nunca foi suficiente para alterar o equilíbrio natural do território. A mata se regenerava e as serpentes continuavam dominando o ambiente.

No final do século 19, a marinha brasileira construiu um farol na ilha e manteve alguns homens no território. Depois, em 1918, por conta de inúmeros acidentes envolvendo as cobras, o local foi completamente isolado e passou a ser acessado exclusivamente por pesquisadores e pessoas autorizadas.

Jararaca-ilhoa: a cobra exclusiva da Ilha das Cobras

Conhecida por seus tons dourados e amarelados, a Bothrops insularis, chamada também de jararaca-ilhoa, é uma espécie endêmica que existe apenas na Ilha da Queimada Grande. As fêmeas são maiores, com cerca de 70 centímetros, e os machos não ultrapassam os 60 centímetros, segundo dados do Instituto Butantan.

A principal característica evolutiva dessa cobra é a extraordinária habilidade de caçar aves em pleno voo ou empoleiradas em árvores. Diferentemente de serpentes continentais, que caçam primariamente no solo, a espécie desenvolveu comportamentos diferenciados, sendo capaz de escalar troncos com agilidade e de emboscar presas estrategicamente.

Acesso proibido e riscos 

Devido ao risco de acidentes com animais peçonhentos e às características do terreno, a visitação à Ilha da Queimada Grande é proibida para o público geral. Atualmente, o acesso é restrito a pesquisadores autorizados e agentes ambientais.

Vale a pena destacar que, além da presença das serpentes, a própria geografia da ilha (com relevo acidentado e vegetação densa) torna a circulação difícil e potencialmente perigosa. Além disso, não há praias. Portanto, o desembarque também é complicado e perigoso.

Youtuber MrBeast esteve na Ilha das Cobras

Em 2025, MrBeast, dono do maior canal de YouTube do mundo, divulgou um vídeo que mostra sua visita à Ilha das Cobras. Conhecido por encarar desafios extremos e perigosos ao redor do mundo, o influenciador foi ao local acompanhado por especialistas e com autorização de órgãos ambientais.

A equipe do youtuber passou uma noite na ilha e acompanhou as atividades de pesquisadores, incluindo a captura de cobras para estudos científicos. O conteúdo destacou a importância da coleta de veneno das serpentes locais, que é fundamental para a produção de soros antiofídicos utilizados no tratamento de acidentes no Brasil.

Mesmo com equipamentos de proteção, o grupo relatou tensão constante. Um dos principais receios era o risco de ataques não apenas no solo, mas também vindos das árvores (por conta do comportamento característico da jararaca-ilhoa).

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