Lápide romana de 2 mil anos achada nos EUA é devolvida à Itália
Aventuras Na História
O que parecia ser apenas uma pedra antiga esquecida em um quintal nos Estados Unidos acabou revelando um mistério arqueológico internacional envolvendo guerra, saque histórico e o Império Romano. Uma lápide funerária de aproximadamente 1.900 anos, dedicada a um soldado romano chamado Sextus Congenius Verus, foi finalmente devolvida à Itália após ser encontrada escondida sob vegetação nos fundos de uma casa em Nova Orleans, no estado da Louisiana.
A descoberta aconteceu em 2025, quando a antropóloga Daniella Santoro, da Universidade Tulane, e seu marido, Aaron Lorenz, limpavam o jardim de sua residência no histórico bairro de Carrollton. Sob ervas daninhas e trepadeiras, o casal encontrou uma placa de mármore coberta por inscrições em latim. Inicialmente, eles chegaram a suspeitar que a casa pudesse ter sido construída sobre um antigo cemitério.
Especialistas rapidamente perceberam que o objeto era muito mais raro. A inscrição funerária mencionava um homem chamado Sextus Congenius Verus, identificado como marinheiro e soldado da frota romana Misenensis, que teria servido por 22 anos a bordo de uma embarcação chamada Asclepius. Pesquisadores concluíram que a peça datava do século II d.C. e correspondia exatamente a um artefato desaparecido do Museu Arqueológico Nacional de Civitavecchia, cidade portuária italiana próxima a Roma.
Lápide Romana
A investigação mobilizou arqueólogos americanos, italianos e austríacos. A classicista Susann Lusnia, também da Universidade Tulane, conseguiu rastrear registros históricos da lápide e confirmou que ela havia desaparecido durante a Segunda Guerra Mundial, período em que o museu italiano sofreu severos bombardeios aliados.
O mistério de como o objeto foi parar nos Estados Unidos acabou solucionado graças à repercussão do caso na imprensa. Erin Scott O’Brien, antiga proprietária da casa, reconheceu a pedra após assistir a uma reportagem sobre a descoberta. Ela revelou que o artefato pertencia a seus avós: Charles Paddock Jr., um militar americano que serviu na Itália durante a guerra, e Adele Paoli, artista italiana com quem ele se casou em 1946.
Segundo O’Brien, a família mantinha a lápide exposta dentro de casa havia décadas, mas ninguém sabia exatamente sua origem. Após herdar o objeto, ela o utilizou como decoração de jardim quando se mudou para a residência em Carrollton. Quando vendeu o imóvel em 2018, simplesmente esqueceu a peça no quintal. “Eu achava que era apenas uma obra de arte”, declarou à imprensa americana.
A lápide foi entregue ao FBI e incorporada a uma operação maior de recuperação de patrimônios culturais. Em abril deste ano, autoridades americanas devolveram oficialmente mais de 300 artefatos históricos à Itália durante uma cerimônia em Roma. Entre eles estavam esculturas gregas, moedas bizantinas e antiguidades egípcias recuperadas em investigações internacionais sobre tráfico de patrimônio histórico.
Agora, a lápide de Sextus Congenius Verus retornará ao Museu Arqueológico de Civitavecchia, encerrando uma jornada de quase oito décadas entre guerra, esquecimento e redescoberta.
