Réptil aquático que viveu há 80 milhões de anos é descoberto — e recebe nome de T.rex
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Um estudo publicado nesta quinta-feira, 21, anunciou a descoberta de uma nova espécie de réptil que viveu na época dos dinossauros. Batizado de Tylosaurus rex, ou apenas “T. rex”, assim como o famoso tiranossauro, o gigantesco mosassauro marinho podia atingir até 13 metros de comprimento e possuía dentes serrilhados.
Publicada na revista Bulletin of the American Museum of Natural History, a pesquisa reuniu cientistas do Museu Americano de História Natural, do Perot Museum of Nature and Science e da Southern Methodist University (SMU), que realizaram análises sobre fósseis de cerca de 80 milhões de anos encontrados principalmente no norte do Texas, nos Estados Unidos.
A descoberta da espécie
De acordo com informações do portal Galileu, tudo começou quando Amelia Zietlow, autora principal do estudo, analisou um fóssil do Museu Americano de História Natural que havia sido anteriormente classificado como Tylosaurus proriger. Ao compará-lo com o espécime original da espécie, descrito há mais de 150 anos e preservado no Museu de Zoologia Comparada de Harvard, os pesquisadores notaram diferenças anatômicas. Mais do que isso, perceberam também que esses pontos anatômicos eram semelhantes aos observados em outros 12 fósseis guardados em diferentes instituições.
Com porte avantajado, os exemplares apresentavam dentes finamente serrilhados — algo incomum entre mosassauros. Além disso, os fósseis também eram mais recentes do que os de T. proriger. Enquanto essa espécie viveu há cerca de 84 milhões de anos em regiões correspondentes ao atual Kansas, o novo animal habitou principalmente o Texas, cerca de 4 milhões de anos depois.
Homenagem a paleontólogo
Como explica a fonte, o nome Tylosaurus rex homenageia o paleontólogo John Thurmond, que suspeitou, já nos anos 1960, que os grandes tilossauros encontrados no nordeste do Texas pertenciam a uma espécie distinta.
O holótipo da espécie, isto é, o fóssil usado como referência oficial, está exposto no Perot Museum. O exemplar foi encontrado em 1979 próximo a um reservatório artificial na região de Dallas. De acordo com os autores, o predador apresentava adaptações que sugerem musculatura extremamente forte na mandíbula e no pescoço.
“Além de enorme, com aproximadamente o dobro do comprimento dos maiores tubarões-brancos, o T. rex parecia ser um animal muito mais cruel do que outros mosassauros”, disse Ron Tykoski, curador de paleontologia de vertebrados do Perot Museum e coautor da pesquisa.
Os cientistas destacaram que identificaram sinais de violência entre indivíduos da própria espécie. A principal evidência é um fóssil apelidado de “O Cavaleiro Negro”, preservado na coleção do Perot Museum, que apresenta danos no focinho e fraturas na mandíbula inferior.
Antigo problema revisitado
O estudo ainda revisitou um antigo problema nas pesquisas sobre mosassauros. Segundo os autores, as análises evolutivas desses répteis utilizavam praticamente o mesmo conjunto de dados há quase 30 anos. A nova pesquisa reuniu informações revisadas, o que pode levar a uma reavaliação das relações evolutivas entre esses predadores marinhos.
“Essa descoberta não se resume apenas a nomear uma nova espécie”, afirmou Zietlow. “Ela destaca a necessidade de revisitarmos antigas suposições sobre a evolução dos mosassauros e de modernizarmos as ferramentas que usamos para estudar esses icônicos répteis marinhos.”
Para Michael Polcyn, pesquisador da SMU e coautor do estudo, os resultados reforçam a importância do Texas para a compreensão dos antigos ecossistemas marinhos.

